
Moradores receberam as imagens falsas em grupos - Foto: Divulgação/CBMMG
A Inteligência Artificial (IA) foi responsável por gerar imagens falsas de animais selvagens que mobilizaram o Corpo de Bombeiros na região metropolitana de Belo Horizonte.
Entre quarta-feira (8) e quinta-feira (9), equipes de resgate foram acionadas para capturar um jacaré e uma onça-pintada que supostamente estariam circulando por bairros da Grande BH, mas os chamados foram motivados por montagens fotográficas criadas por IA e compartilhadas em grupos de WhatsApp.
O caso mais recente aconteceu na manhã de quinta-feira, por volta das 8h05, no bairro São Cosme, em Santa Luzia. Uma imagem que circulava em grupos de mensagens mostrava um grande jacaré na rua Manicopa. Os bombeiros chegaram a preparar equipamentos de resgate, mas uma viatura da Polícia Militar (PM) foi ao local primeiro e confirmou que se tratava de uma farsa gerada por IA.
O sargento Miranda, do Corpo de Bombeiros, explicou que a corporação não classificou os chamados como trote: "Não estamos encarando como trote porque as pessoas entraram de boa-fé, entendendo que realmente haveria os animais nos locais. Os históricos são bem parecidos, ambos entraram como imagens de grupos de WhatsApp da região. A conversa original vai se perdendo e as pessoas só vão repostando".
A primeira ocorrência havia sido registrada no fim da tarde de quarta-feira, quando moradores do bairro São Jorge II denunciaram a presença de uma onça-pintada. Segundo o relato, o felino teria matado um gato por volta das 4h30 e entrado em um lote vago, transitando pelas ruas Anita Garibaldi e Vieiras.
Para este caso, viaturas dos Bombeiros foram deslocadas com o apoio do Samuvet e de uma equipe de resgate animal da UniBH. Ao chegarem ao local, os agentes não encontraram nenhum sinal do animal selvagem. "De fato, se houvesse, teria um rastro de destruição por ele ser violento até chegar ali. Precisou do pessoal deslocar mesmo até o local e fazer essa confirmação", explicou o sargento Miranda.
Em relação à imagem do jacaré, a investigação da corporação revelou que a montagem feita com IA tinha um propósito específico: ironizar o abandono de um terreno com acúmulo de lixo. "Era uma montagem, parece que tem um lixão e um mato mais alto ali e seria tipo assim: "aqui tá tão complicado que tá dando até jacaré". Foi mais uma crítica social em relação à situação do local", detalhou o sargento.
Estes incidentes destacam como a tecnologia de IA para geração de imagens pode criar situações que mobilizam recursos públicos desnecessariamente, mesmo quando compartilhadas sem má intenção. A verossimilhança das imagens criadas por IA tem se tornado um desafio para autoridades e para a população, que nem sempre consegue distinguir entre conteúdo real e artificial.