
Zema, Eduardo Leite e Tarcísio - Foto: Divulgação/Agência Brasil
A seis meses das eleições de outubro, o cenário político brasileiro apresenta uma clara divisão entre os 27 governadores do país: nove preparam-se para disputar a reeleição, onze deixaram seus cargos para concorrer a outros postos (incluindo dois na corrida presidencial e nove na disputa pelo Senado), enquanto sete permanecerão em seus mandatos sem participar da disputa eleitoral.
São Paulo, maior colégio eleitoral do país, lidera o grupo em peso político. Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve disputar a reeleição tendo como principal adversário Fernando Haddad (PT), repetindo o embate que marcou a eleição de 2018.
No Nordeste, três governadores entram na disputa pela permanência:
* Jerônimo Rodrigues (PT) tenta manter a hegemonia petista na Bahia, que já dura quase duas décadas
* Raquel Lyra (PSD) deve enfrentar em Pernambuco o prefeito do Recife, João Campos (PSB), em uma disputa entre aliados do presidente Lula
* Elmano de Freitas (PT) buscará novo mandato no Ceará com apoio do ex-ministro Camilo Santana (PT), tendo como principal adversário Ciro Gomes (PSDB)
No Sul, Jorginho Mello (PL) tentará a reeleição em Santa Catarina, onde a direita mantém força consolidada. No Centro-Oeste, Eduardo Riedel (PP) também buscará um novo mandato em Mato Grosso do Sul.
Completam a lista de governadores que tentarão a reeleição: Rafael Fonteles (PT) no Piauí, Fábio Mitidieri (PSD) em Sergipe e Clécio Luís (União) no Amapá, que enfrentam cenários menos polarizados até o momento.
Entre os que deixaram o cargo para disputar as eleições, dois governadores miram a Presidência da República: Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás. Ambos tentam se viabilizar como alternativas no campo da direita e devem disputar espaço no eleitorado com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
No grupo que busca o Senado, destaca-se Helder Barbalho (MDB), aliado de Lula que deixou o governo do Pará. Este ano, 54 das 81 cadeiras da Casa estarão em disputa, com duas vagas por estado, o que coloca o Senado como um dos principais focos da eleição, diante dos mandatos de oito anos.
Outros governadores que deixaram seus cargos para disputar o Senado incluem:
* João Azevêdo (PSB), da Paraíba
* Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo
* Wilson Lima (União Brasil), do Amazonas
* Mauro Mendes (União Brasil), de Mato Grosso
* Gladson Cameli (PP), do Acre
* Antonio Denarium (PP), de Roraima
No Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) se movimenta para disputar o Senado enquanto tenta se afastar do caso Master e reverter desgaste político. Já no Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) deixou o cargo em meio a impasses judiciais e foi declarado inelegível em processos ligados às eleições de 2022, tornando incerta sua possibilidade de disputar o Senado.
Sete governadores devem permanecer no cargo até o fim do mandato sem disputar as eleições deste ano. Entre eles está Eduardo Leite (PSD), que conclui seu ciclo à frente do governo gaúcho após perder a disputa interna para Ronaldo Caiado, e Carlos Brandão (sem partido), que enfrenta cenário de divisão no próprio campo político no Maranhão.
Também seguem no cargo sem entrar na disputa eleitoral:
* Paulo Dantas (MDB), em Alagoas
* Marcos Rocha (União Brasil), em Rondônia
* Wanderlei Barbosa (Republicanos), no Tocantins
* Ratinho Jr. (PSD), no Paraná, que recuou de uma possível candidatura nacional
* Fátima Bezerra (PT), no Rio Grande do Norte, que não avançou no plano de disputar o Senado
Este cenário mostra que mais de um terço dos estados terá troca de comando sem a presença do atual governador na disputa direta, em um quadro de sucessões abertas e rearranjos políticos nos principais colégios eleitorais do país.
O panorama eleitoral ainda pode sofrer alterações até as eleições de outubro, quando cerca de 155 milhões de brasileiros estarão aptos a votar para escolher presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.