
Foto: Reprodução/ @AecioNeves) / X
O ex-governador de Minas Gerais e deputado federal Aécio Neves (PSDB) afirmou, em entrevista nesta segunda-feira (25/11), que considera os primeiros governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como os "bons tempos" da política brasileira. Apesar de se declarar adversário histórico do PT, o tucano destacou a relação institucional que manteve com Lula durante os anos em que comandou o governo mineiro. Aécio Neves participou do programa "Frente a Frente", do portal UOL, e relembrou episódios da convivência política com Lula. Segundo ele, os dois mantinham diálogo frequente mesmo em meio à disputa política nacional.
"Eu sou adversário do PT desde sempre e tenho uma visão conceitual de gestão: estabelecer metas, reunir os melhores. O PT tem por objetivo fortalecer o partido e o projeto deles. Mas eu tenho que reconhecer que o presidente Lula teve comigo, durante os oito anos em que governei Minas, uma relação absolutamente republicana, que eu saúdo como os bons tempos da política brasileira. É meu adversário, não é inimigo", afirmou o deputado.
Durante a entrevista, Aécio Neves também revelou que recebeu de Lula um convite para deixar o PSDB e migrar para o MDB com o objetivo de disputar a Presidência da República. Segundo ele, a conversa aconteceu em 2009, durante um deslocamento para a cerimônia da Medalha Santos Dumont. Os dois estavam no mesmo carro e, quando o veículo parou em um engarrafamento a caminho do evento, Lula iniciou a conversa sobre a sucessão presidencial. "Pediu pro Gonçalves Dias descer do carro, pediu um cigarro, eu também fumava na época, aí ele falou comigo assim: "Aécio, você quer ser presidente da República?" Eu falei que talvez um dia eu seria, naquela época, 2009, o PT sem alternativa, a Dilma ainda não era a candidata", contou Aécio Neves.
O então presidente teria ido além na proposta. "Ele (Lula) respondeu então: "Se você quer ser candidato precisa de duas coisas - levantou a calça - uma meia de presidente como esta; e a segunda coisa é se filiar ao PMDB, e você pode ser o meu candidato"", relatou Aécio Neves. O tucano disse que recusou a proposta e preferiu permanecer no PSDB.
Segundo ele, posteriormente o MDB acabou integrando a chapa presidencial petista com Michel Temer como vice de Dilma Rousseff. "Eu não quis entrar naquela situação; era o Garotinho (líder do MDB), preferi não entrar. Mas ele me chamou para ir para o MDB e ser o candidato dele", destacou.
Durante a entrevista, Aécio Neves também fez críticas à gestão do ex-governador Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais. Segundo ele, Zema encerrará seu ciclo político sem deixar uma marca administrativa relevante no estado. Questionado sobre uma possível candidatura ao governo mineiro em 2026, o deputado descartou disputar novamente o Palácio Tiradentes. "Eu estaria competindo comigo mesmo, com as gestões que eu já fiz, em outro momento e em outra realidade", declarou.
Aécio Neves afirmou ainda que não pretende disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados e disse já ter orientado suas bases políticas sobre os próximos passos. Apesar disso, ele não descartou uma eventual candidatura ao Senado ou até mesmo à Presidência da República. Segundo o parlamentar, a decisão sobre seu futuro político deverá ocorrer apenas em julho, próximo ao período das convenções partidárias.