
Tenente-coronel e soldado Gisele | Reprodução
Os pais da soldado da polícia militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, manifestaram-se após a revelação de que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, acusado de feminicídio contra a filha deles, foi aposentado com um alto salário.
Gisele Santana foi morta no apartamento onde morava com o marido no Bairro do Brás em São Paulo, no dia 18 de fevereiro.
O tenente-coronel Neto está preso desde 18 de março, indiciado por feminicídio e fraude processual contra a soldado, que era sua esposa.
Embora ele alegue que Gisele atirou contra si mesma, as investigações, incluindo perícia e depoimentos de testemunhas, apontam que foi ele quem atirou contra a esposa, supostamente por não aceitar o fim do casamento.
Mesmo preso, a Polícia Militar de São Paulo publicou na quinta-feira (2) uma portaria de inatividade, mandando o tenente-coronel para a reserva.
O documento, assinado pela Diretoria de Pessoal da PM, afirma que Neto tem direito à aposentadoria pelos critérios proporcionais de idade, com vencimentos integrais.
Segundo o site de Transparência do Governo de São Paulo, o salário bruto de Neto em fevereiro foi de 28,9 mil reais.
Estima-se que seu salário de aposentado será de aproximadamente 21 mil reais.
O pedido de aposentadoria foi feito pelo próprio coronel há cerca de uma semana.
A Polícia Militar informou que esta aposentadoria não interrompe o processo de expulsão da corporação.
No entanto, mesmo perdendo a patente, Neto continuará recebendo a aposentadoria por tempo de serviço.
Horas após a notícia da aposentadoria vir à tona, os pais de Gisele Santana se pronunciaram por meio de seu advogado, José Miguel Jr Silva.
O advogado expressou surpresa com a rapidez do processo: "Hoje amanhecemos com a notícia da aposentadoria do tenente-coronel Neto. Preso e indiciado por feminicídio e por fraude processual contra a pessoa da soldado Gisele. Causou espécie para nós a celeridade (rapidez) da corporação em aposentá-lo."
O advogado da família também destacou o tratamento diferenciado: "Eu tenho notícias que entraram com este pedido em menos de uma semana e hoje foi publicado no Diário Oficial. Aonde nós temos notícias, inclusive de oficiais, que precisam entrar na justiça doentes para conseguir esse benefício. Os praças então levam mais de 60 dias."
Ele criticou a aparente contradição nas ações da corporação: "E depois vem a público dizer que corta na carne, que não admite a conduta incompatível, sendo que estão dando privilégios para o senhor tenente-coronel. Mas saibam que essa aposentadoria não vai barrar o conselho de justificação que vai demiti-lo, nós temos convicção disso."
O advogado concluiu falando sobre a injustiça sentida pelos pais de Gisele Santana: "Por outro lado, não é justo que esse cidadão que cometeu um crime tão bárbaro continuar recebendo valores às custas da população, inclusive, dos pais da Gisele que pagam seus tributos. Um forte abraço a todos e vamos continuar em busca de justiça. Nunca duvide da competência do Comando da PMESP! Aposentadoria e promoção na velocidade da luz!"
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