PR: Estudante é preso por exercício ilegal da medicina

Materiais apreendidos pela Polícia Civil com o estudante de biomedicina Erick Avelaneda Ferreira de Souza. — Foto: PCPR
Estudante de biomedicina de 21 anos, investigado pela morte de uma paciente de 66 anos após procedimentos estéticos, continuava realizando atendimentos mesmo durante as investigações
Erick Avelaneda, estudante de biomedicina de 21 anos, foi preso na manhã desta quarta-feira (1º) em Curitiba por exercício ilegal da medicina. Ele é investigado pela morte de Silvana de Bruno, de 66 anos, que faleceu após complicações decorrentes de procedimentos estéticos realizados por ele.
Segundo a Polícia Civil do Paraná (PC-PR), a prisão ocorreu após denúncias de que Erick continuava realizando procedimentos estéticos invasivos mesmo durante a investigação sobre a morte da paciente.
De acordo com as autoridades, Silvana de Bruno pagou R$ 15 mil pelos procedimentos estéticos feitos pelo estudante. Após as intervenções, a vítima desenvolveu um choque séptico e infecção de pele e partes moles, o que levou ao seu falecimento no início de outubro, em Curitiba.
"Mesmo depois de ser investigado por uma morte, ele voltou a realizar procedimentos invasivos. Isso demonstra um total desrespeito à Justiça e risco à população", declarou a delegada Aline Manzatto, responsável pelo caso.
As equipes policiais cumpriram mandado de prisão e de busca no endereço do investigado. Durante a operação, foram apreendidos diversos materiais utilizados em procedimentos estéticos, incluindo:
* Medicamentos de procedência desconhecida que eram utilizados nos tratamentos
* Seringas novas e usadas, algumas contendo substâncias não identificadas
* Materiais com sangue que não haviam sido descartados adequadamente, demonstrando falta de higiene e segurança nos procedimentos
A delegada Aline Manzatto informou que a polícia recebeu uma denúncia específica sobre a continuidade das atividades de Erick Avelaneda. Uma testemunha, ao tomar conhecimento do caso envolvendo a morte de Silvana, alertou duas potenciais pacientes, que desistiram do atendimento com o estudante.
Segundo a delegada, após o cancelamento, o suspeito passou a ameaçar a mulher que fez o alerta. "Quando desmarcaram o procedimento com ele, a pessoa que alertou essas mulheres foi ameaçada. Ele foi falar que ela tinha mexido com o capeta e que ela ia sofrer consequências, tanto em relação à ela, quanto ao estabelecimento dela", relatou a delegada.
A investigação revelou que Erick Avelaneda se apresentava às vítimas como dentista e biomédico, embora fosse apenas estudante. Ele utilizava as redes sociais para divulgar seus serviços, oferecendo procedimentos como preenchimento labial e aplicação de estimuladores de colágeno.
A família de Silvana informou que ela passou por três procedimentos com o suspeito: aplicação de plasma facial, lipo de papada e lipoenxertia nos seios. Após os procedimentos realizados por Erick, Silvana precisou ser hospitalizada e foi submetida a uma cirurgia de mastectomia total, com retirada completa das mamas e parte do tecido do tórax. Infelizmente, ela não resistiu à infecção e faleceu no hospital.
A polícia também descobriu que Erick realizava os atendimentos em salas alugadas por dia em diferentes bairros de Curitiba, como Centro, Campo Comprido e Cabral. Após a investigação inicial, ele passou a atender pacientes nas residências delas, sem condições adequadas de higiene, aumentando ainda mais os riscos para as pessoas que o procuravam.
Erick Avelaneda deve responder por homicídio doloso qualificado pela morte de Silvana de Bruno, crime cuja pena pode chegar a 30 anos de prisão. Além disso, também poderá ser responsabilizado por crimes relacionados ao uso de substâncias impróprias ou de procedência desconhecida, com penas que variam de 10 a 15 anos de reclusão.