
PIB 2024 | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima sua projeção de crescimento da economia brasileira para 2026, considerando um pequeno efeito positivo da guerra no Oriente Médio. Como o Brasil é um exportador líquido de petróleo, o conflito deve impulsionar o crescimento do PIB nacional em 0,2 ponto percentual neste exercício, segundo relatório divulgado nesta terça-feira.
De acordo com o documento Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês), publicado como parte das reuniões de Primavera do FMI, a economia brasileira deve crescer 1,9% em 2026, um aumento de 0,3 ponto percentual em relação à atualização feita em janeiro.
"Espera-se que a guerra tenha um pequeno efeito líquido positivo em 2026, como resultado do País ser um exportador líquido de energia", afirma o FMI no relatório. No início do ano, o Fundo havia reduzido a expectativa para o crescimento do PIB brasileiro, citando os efeitos negativos do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Desde então, o republicano sofreu um revés na Suprema Corte, que anulou seu poder de taxar o mundo, enquanto a guerra contra o Irã fez os preços de energia dispararem, beneficiando países exportadores como o Brasil.
Apesar da melhora na projeção, o Brasil ainda deve desacelerar seu ritmo de crescimento neste ano em comparação com 2025, quando o PIB doméstico teve incremento de 2,3%. Além disso, o país deve crescer em 2026 em ritmo inferior ao previsto para a América Latina e o Caribe e ao projetado para as economias emergentes e em desenvolvimento.
Ainda assim, a taxa de expansão deve superar a estimada pelo FMI para países como México, Uruguai e Canadá. O organismo prevê que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) perca fôlego e fique em 4% em 2026, ante 5% em 2025. Por outro lado, a taxa de desemprego deve piorar, subindo para 6,8%, contra 6% no exercício anterior. Para 2027, no entanto, o FMI fez o movimento contrário, cortando em 0,3 ponto percentual sua projeção de crescimento para o PIB brasileiro, para 2%, em relação à atualização da estimativa realizada em janeiro.
Segundo o Fundo, a desaceleração da demanda global, custos mais altos de insumos, incluindo fertilizantes, e condições financeiras mais restritivas são as razões para o ajuste na projeção anterior. "Reservas internacionais adequadas, baixa dependência de dívida em moeda estrangeira, grandes reservas de caixa do governo e uma taxa de câmbio flexível são esperados para ajudar o país a enfrentar o choque", destaca o FMI. O relatório estima ainda que a inflação brasileira seguirá em ritmo de melhora e ficará em 3,4% em 2027. A taxa de desemprego, contudo, deve continuar em alta e alcançar 7,4% no próximo ano.