
Fabiano Pedrosa ao lado da avó, Angélica Gonçalves, em Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
O zootecnista Fabiano Pedrosa Leão é o principal suspeito em um esquema que teria desviado cerca de R$ 37 milhões da herança de sua avó, Angélica Gonçalves Pedrosa, em Firminópolis, Goiás.
Segundo o delegado Alexandre Bruno, o neto ajudava na fazenda da família desde criança e assumiu os negócios após a morte do avô em 2009, conquistando a confiança dos familiares que não desconfiaram dos desvios por anos.
De acordo com as investigações, Fabiano Pedrosa foi praticamente criado pelos avós, o que lhe permitiu adquirir conhecimento técnico nos negócios agrícolas da família desde muito jovem.
"Eles praticamente criaram esse neto. Esse neto foi, desde muito pequeno, criado pelo avô ali na lida com o gado, com a gerência, com o gerenciar os negócios da fazenda", explicou o delegado responsável pelo caso.
Após atingir a fase adulta, Fabiano formou-se em zootecnia, o que reforçou ainda mais seu conhecimento na área e ajudou a conquistar a confiança dos familiares.
O suspeito e sua mãe, Marli Gonçalves Pedrosa Leão, além de bancários, fazendeiros da região e funcionários de cartórios, são investigados por participação no esquema de desvios.
Fabiano Pedrosa teria realizado os desvios de um fundo dos lucros da fazenda. As investigações apontam que o zootecnista fazia retiradas regulares, enquanto as tias não faziam nenhuma movimentação.
Após a morte da idosa, em maio de 2024, o suspeito também ficou responsável por fazer o inventário dos bens da avó, junto com a mãe, e repartir entre as tias.
Segundo a polícia, Fabiano chegou a sacar R$ 1,4 milhão apenas dois dias após a morte da avó. Em depoimento prestado à Polícia Civil em 2025, ele afirmou que o valor seria para o pagamento de dívidas e foi repartido entre as tias.
Fabiano e sua mãe foram alvos de um mandado de busca e apreensão em maio de 2025. Durante a operação, ele chegou a ser preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, já que duas foram encontradas durante as buscas, mas foi solto após o pagamento de fiança.
As investigações tiveram início em fevereiro de 2025, quando uma das quatro filhas da idosa começou a suspeitar do enriquecimento do sobrinho.
De acordo com Alexandre Lourenço, advogado procurado pela tia, os familiares perceberam que as movimentações eram suspeitas assim que tiveram acesso às contas bancárias de Angélica.
"A avó, dona Angélica, vivia com uma pensão de aproximadamente R$ 7 mil, muito pouco disso era complementado pelo rendimento do patrimônio, então, cadê o restante? Então, paralelo a isso, a família narra um crescimento patrimonial bastante vultoso da parte dele", explicou Lourenço.
Segundo o delegado Alexandre, Fabiano teria contado com a ajuda de outros suspeitos para desviar os valores, incluindo bancários, funcionários de cartórios e fazendeiros da região.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que ainda não divulgou um prazo previsto para a conclusão do inquérito.
O esquema de desvios teria ocorrido ao longo de vários anos, enquanto Fabiano Pedrosa administrava os negócios da família.
A desconfiança só surgiu quando os familiares notaram o crescimento patrimonial desproporcional do zootecnista, em contraste com a situação financeira da avó, que vivia com uma pensão modesta.