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Uma das vítimas que denunciaram o ginecologista Marcelo Arantes Silva revelou que ficou completamente paralisada durante a consulta com o médico. "A gente fica completamente imóvel, não tive coragem, acho que, por alguns minutos, eu morri ali na cadeira", relatou. Segundo a Polícia Civil, o médico é suspeito de estuprar pacientes durante consultas e exames em Goiânia e Senador Canedo.
A vítima descreveu como o médico iniciava as consultas de maneira muito gentil, até começar comportamentos inadequados. "Quando a gente está completamente sem roupa, ele vai e faz alguma coisa. Ele enfiou o dedo, falou com questão de lubrificação, coisas que não tinham nada a ver com o procedimento", esclareceu a mulher em entrevista à TV Anhanguera, afiliada da Globo em Goiás.
De acordo com a delegada Amanda Menuci, responsável pela investigação, existem relatos de estupro contra Marcelo Arantes desde 2017. A Polícia Civil informou que, até sexta-feira (17), foram registradas 12 denúncias contra o ginecologista. Durante coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (16), a investigadora explicou como o médico agia.
Nas primeiras consultas, o comportamento era marcado por toques físicos indesejados e perguntas inapropriadas sobre a vida sexual das pacientes. Após ganhar a confiança inicial das vítimas, o médico começava a praticar atos libidinosos. Realizava exames desnecessários sem utilizar luvas e fazia perguntas de cunho sexual durante os procedimentos.
Segundo a delegada, ele perguntava às vítimas "se estavam gostando daquilo, se ali se sentiam confortáveis, se estavam tendo prazer naquele ato". O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou, por meio de nota, que o registro do médico Marcelo Arantes foi suspenso por ordem judicial. O órgão ressaltou que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas e tramitam em sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico.
Em nota, a defesa de Marcelo Arantes afirmou ter "plena confiança na inocência" do cliente, descrevendo-o como "um médico bem conceituado em sua área de atuação, probo e ético". Os advogados Rodrigo Lustosa, Nara Fernandes e Frederico Machado informaram que o médico tem colaborado com a Justiça e já não está exercendo a profissão durante a apuração dos fatos. "Prevalece a convicção de que ele será mais uma vez absolvido, como já ocorreu em um dos processos", afirmaram na nota.