
Máquina de cartão - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde histórico em março, chegando a 80,4%, conforme revelou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta terça-feira (7). O indicador superou tanto o resultado de março de 2025, quando estava em 77,1%, quanto o de fevereiro deste ano, que registrou 80,2%.
Apesar do aumento no percentual de famílias endividadas, houve uma pequena redução no total de consumidores sem condições de realizar o pagamento de dívidas em atraso, que caiu 0,3 ponto percentual, atingindo 12,3%. A parcela de famílias com dívidas em atraso permaneceu estável em 29,6% em relação ao mês anterior.
O tempo médio de atraso no pagamento das contas manteve-se em 65,1 dias, enquanto o percentual de famílias inadimplentes por mais de 90 dias apresentou uma leve queda, chegando a 49,4%. Estes dados indicam que, embora o endividamento tenha aumentado, a capacidade de pagamento das famílias não se deteriorou na mesma proporção.
Em relação ao comprometimento da renda familiar com o pagamento de dívidas, a pesquisa registrou uma média de 29,6%, valor inferior ao verificado no mesmo período do ano passado. Também houve redução no percentual de consumidores que comprometem metade ou mais de seus rendimentos com dívidas, totalizando 19,2%, o que representa uma queda em comparação à pesquisa anterior.
Os resultados da Peic demonstram um cenário complexo para a economia brasileira. Por um lado, o recorde histórico de endividamento indica que mais famílias estão recorrendo ao crédito. Por outro lado, as reduções nos indicadores de inadimplência sugerem que, apesar do maior endividamento, os consumidores estão conseguindo gerenciar melhor suas finanças e honrar seus compromissos financeiros.
Este panorama do endividamento familiar é um importante termômetro para a economia nacional, pois impacta diretamente o consumo e, consequentemente, o crescimento econômico do país. A continuidade do monitoramento destes indicadores será fundamental para avaliar a saúde financeira das famílias brasileiras nos próximos meses.