
© Marcello Casal jr/Agência Brasil
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro atingiu 49,9% em fevereiro, igualando o recorde histórico registrado em julho de 2022, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira. Este percentual representa um leve aumento em relação a janeiro, quando o índice estava em 49,8%. Quando analisamos os dados excluindo as dívidas imobiliárias, o endividamento também apresentou crescimento, passando de 31,3% em janeiro para 31,4% em fevereiro.
Estes números refletem um cenário preocupante para a economia doméstica brasileira, com as famílias cada vez mais comprometidas financeiramente. O comprometimento da renda familiar com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) também registrou alta, subindo de 29,5% em janeiro (valor revisado, anteriormente divulgado como 29,3%) para 29,7% em fevereiro.
Sem considerar os empréstimos imobiliários, esse comprometimento aumentou de 27,2% para 27,4%. Estes indicadores de endividamento são acompanhados de perto por economistas e pelo próprio Banco Central, pois refletem diretamente a capacidade de consumo das famílias e podem impactar o crescimento econômico como um todo. O aumento constante desses percentuais pode sinalizar dificuldades crescentes no orçamento doméstico dos brasileiros. No setor habitacional, o estoque das operações de crédito direcionado para habitação no segmento pessoa física cresceu 1,0% em março, comparado a fevereiro, alcançando o valor de R$ 1,339 trilhão.
Em 12 meses, esse montante representa uma alta expressiva de 11,6%, demonstrando que, apesar do alto endividamento, o mercado imobiliário continua aquecido. Já o estoque de operações de crédito livre para compra de veículos por pessoa física também apresentou crescimento, com aumento de 0,8% em março, totalizando R$ 411,627 bilhões. No acumulado de 12 meses, esse setor registrou um avanço ainda mais significativo, de 16,0%. O cenário de endividamento crescente ocorre em um momento de desafios econômicos para o país, com pressões inflacionárias e juros elevados. Especialistas alertam que o alto nível de comprometimento da renda com dívidas pode limitar o potencial de recuperação econômica, uma vez que reduz a capacidade de consumo das famílias em outros setores da economia.