
Imagens aéreas mostram rastro de destruição em Juiz de Fora
Completados 45 dias desde a maior tragédia climática de Juiz de Fora, que resultou em 66 mortes após o temporal de 23 e 24 de fevereiro, a Defesa Civil continua trabalhando intensamente para atender as ocorrências e vistoriar os imóveis afetados pelos deslizamentos.
Segundo informações da Prefeitura, foram registradas 7.264 ocorrências, das quais 5.706 já foram atendidas, restando ainda 1.558 pendentes. Todas as ocorrências pendentes já receberam pelo menos uma tentativa de vistoria, conforme informou a administração municipal.
"As equipes já realizaram ao menos uma tentativa de atendimento em todos os imóveis relacionados às demandas abertas. Em parte dos casos, porém, os moradores não foram localizados no momento da visita, o que exige novas tentativas", explicou a Prefeitura.
O trabalho de vistoria e atendimento está sendo realizado por 90 servidores, com previsão de ampliação para 125 profissionais. Este número representa um aumento significativo em relação ao que foi informado em 14 de março, quando a prefeita Margarida Salomão (PT) havia comunicado em coletiva de imprensa que mais de 4 mil locais tinham sido vistoriados, com outros mil em espera.
Em relação às demolições necessárias após a tragédia, a Prefeitura informou que já foram realizadas 10 demolições totais na cidade:
* 8 demolições na região do Graminha, uma das áreas mais afetadas pelos deslizamentos causados pelas fortes chuvas
* 2 demolições no bairro Esplanada, outro ponto crítico da cidade durante o temporal
* Além de duas demolições parciais realizadas no bairro Granbery
Quanto à possibilidade de demolição de imóveis na área do macromural no Esplanada, mencionada pela secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (Sedupp), Cidinha Louzada, durante entrevista à TV Integração em 13 de março, a Prefeitura esclareceu que ainda não há definição.
"Qualquer eventual demolição, em qualquer ponto do município, é definida exclusivamente com base em análise técnica da Defesa Civil, sempre que a medida for considerada necessária para garantir a segurança da população. Não há decisões generalizadas: cada situação é avaliada individualmente, a partir de vistorias em campo", afirmou o Executivo.
Na semana passada, o número de vítimas fatais da tragédia subiu para 66, com o falecimento de Joaquim Honório da Silva, um idoso de 77 anos que estava internado no Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus e veio a óbito em 29 de março. O sepultamento ocorreu no Cemitério Municipal no dia seguinte.
Até o momento, a Secretaria de Saúde não divulgou atualizações sobre possíveis vítimas que ainda permanecem hospitalizadas.
Quanto aos auxílios para os moradores afetados, o Governo Federal informou na terça-feira (7) que será necessária a validação de informações no Portal do Cidadão para que os residentes de Juiz de Fora e Ubá tenham direito ao Auxílio Reconstrução, no valor de R$ 7,3 mil. Somando as duas cidades, o temporal deixou 74 mortos.
No sistema online, os moradores podem conferir os dados enviados pelas prefeituras e acompanhar a situação do cadastro para verificar se há aprovação ou pendências. A expectativa é que os primeiros pagamentos sejam realizados nos próximos dias, após o processamento das informações pela Caixa Econômica Federal.
A Prefeitura de Juiz de Fora também anunciou um benefício municipal de R$ 800 para famílias cadastradas no CadÚnico e com residências destruídas ou interditadas, mas ainda não há informações atualizadas sobre quantos moradores já receberam esse auxílio.
A tragédia de fevereiro em Juiz de Fora continua mobilizando esforços das autoridades para atender às necessidades dos cidadãos afetados. Além das vistorias pendentes e dos auxílios financeiros, outros programas como o Compra Assistida estão sendo implementados para ajudar as famílias a conseguirem novas moradias.
No entanto, ainda há questões sem resolução, como a reconstrução da Estrada Engenheiro Gentil Forn, que ainda não tem estimativa de custo ou início das obras.