
banco BRB
A Polícia Federal identificou uma estrutura organizada para fabricação em série de carteiras de crédito sem lastro no esquema envolvendo o BRB (Banco Regional de Brasília) e o Banco Master. De acordo com a investigação, existia uma "linha de produção" voltada à criação de ativos fictícios, utilizando planilhas, contratos padronizados, extratos manipulados e procurações assinadas por terceiros para dar aparência de legalidade às operações fraudulentas.
Os documentos da investigação revelam um processo sofisticado de produção massificada de registros financeiros artificiais. O esquema incluía a elaboração de contratos antedatados que simulavam operações legítimas, mas que na verdade não possuíam lastro real. Estes documentos eram produzidos em série seguindo modelos padronizados para acelerar o processo fraudulento.
Também ocorria a manipulação manual de extratos bancários para criar a falsa impressão de movimentações financeiras regulares. O Banco Central, ao analisar parte das operações, identificou inconsistências materiais graves nas Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), incompatíveis com transações reais. Além da utilização de uma empresa intermediária que funcionava como suposta originadora dos créditos.
Estes eram posteriormente consolidados em carteiras adquiridas pelo Banco Master e, em seguida, revendidas ao BRB em um esquema circular. Havia também a criação de uma verdadeira "linha de produção" de ativos, conforme material apreendido pelos investigadores, com divisão clara de tarefas e padronização de documentos para viabilizar a circulação das carteiras fraudulentas no mercado.
O objetivo do esquema, segundo a Polícia Federal, era mascarar a falta de lastro real das operações e sustentar artificialmente o modelo de negócios do Banco Master, que não possuía ativos suficientes para justificar o volume negociado. As carteiras eram então vendidas ao BRB, que adquiriu mais de R$ 12 bilhões em ativos entre 2024 e 2025, durante a gestão de Paulo Henrique Costa.
Parte desses créditos é considerada de alto risco ou irregular — os chamados "títulos podres" — com prejuízos estimados em pelo menos R$ 5 bilhões. De acordo com a decisão do ministro do STF André Mendonça, o advogado Daniel Monteiro, preso na quinta-feira (16), é apontado como operador central do esquema, atuando em duas frentes principais. Primeiramente, ele teria participado diretamente na estruturação e "validação" dos documentos ligados às carteiras de crédito do Banco Master, ajudando a dar aparência de legalidade a ativos sem lastro real.
A investigação indica que seu escritório funcionava como uma espécie de "compliance paralelo", operando fora dos controles formais e elaborando contratos, declarações e outros documentos utilizados nas operações fraudulentas. Além disso, Monteiro também é indicado como responsável por montar a engenharia societária e financeira usada para ocultar bens, especialmente imóveis que, segundo a PF, seriam destinados ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Em uma mensagem citada no processo, o próprio advogado reconhece seu papel na operação: "O Paulo me procurou para dar andamento em estrutura de compra de imóveis para ele (…) Vou pedir os dados dos imóveis a ele e faço hoje mesmo."
Para a Polícia Federal, essas evidências demonstram que o advogado não atuava apenas como defensor ou consultor, mas como parte ativa da engrenagem criminosa, sendo responsável por viabilizar juridicamente tanto as operações financeiras suspeitas quanto a ocultação de patrimônio. Por isso, ele é investigado por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra o sistema financeiro. O caso está sendo apurado no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga crimes contra o sistema financeiro nacional, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação continua para identificar todos os envolvidos e a extensão dos prejuízos causados ao sistema financeiro nacional.