
Ruas ficam submersas após chuva de mais de 24 horas em Belém - Foto: Reprodução / TV Liberal
O sistema de alerta de emergência não foi acionado durante o temporal que atingiu a Grande Belém no fim de semana, considerado o mais intenso dos últimos 10 anos.
Segundo a Defesa Civil, apesar dos alagamentos e transtornos registrados que afetaram aproximadamente 42 mil pessoas na capital paraense, a chuva não atingiu os parâmetros técnicos necessários para o disparo do alerta sonoro nos celulares.
De acordo com a Defesa Civil, o DCA (alerta que chega automaticamente aos celulares sem necessidade de cadastro) só é ativado em situações classificadas como extremas.
Embora o volume de chuva tenha sido alto, com mais de 100 milímetros em cerca de seis horas, a precipitação ocorreu de forma contínua e não concentrada em curto período, o que impediu o acionamento do sistema.
"O alerta sonoro só é emitido em casos extremos e severos. Essa chuva foi volumosa, mas não atingiu os parâmetros estabelecidos", explicou a Defesa Civil durante cobertura da TV Liberal.
O critério técnico para acionamento do alerta considera principalmente a intensidade da chuva em curto intervalo de tempo. Quando o volume é distribuído ao longo de várias horas, mesmo sendo elevado, pode não alcançar o limite necessário para disparo do alerta automático.
O temporal causou sérios transtornos na capital paraense.
Ruas ficaram completamente alagadas em diversos bairros, transformando vias em verdadeiros rios.
Casas foram invadidas pela água, forçando moradores a abandonarem seus lares.
Equipes de resgate precisaram atuar para auxiliar pessoas ilhadas.
Famílias relataram perdas significativas de bens materiais, como relatou uma moradora do bairro do Tapanã: "Perdi máquina de lavar, colchão, a água invadiu tudo".
A cidade registrou mais de 450 mm de chuva em abril, volume acima da média histórica para o mês, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A combinação com a maré alta agravou significativamente os alagamentos em diversas áreas da cidade.
Diante da situação, a prefeitura de Belém decretou estado de emergência e iniciou a distribuição de itens essenciais para as famílias atingidas, incluindo 400 cestas básicas, 350 kits dormitório, 400 kits de limpeza e 300 kits de higiene.
Os cadastros para recebimento de auxílio estão sendo realizados em três escolas municipais: Alda Eutrópio (Pratinha/Tapanã), Amália Paumgartten (Guamá) e Solerno Moreira (Terra Firme).
A Defesa Civil informou que há outro tipo de aviso disponível à população, por meio de mensagens de texto e WhatsApp.
Para receber, é necessário enviar o CEP por SMS para o número 40199. O serviço envia previsões meteorológicas e alertas diários.
Doações estão sendo recebidas em pontos de apoio na capital, incluindo escolas e espaços públicos.
Os itens mais necessários são:
Alimentos não perecíveis.
Colchões e roupas de cama.
Roupas e calçados em bom estado.
Itens de higiene e limpeza.
Também há arrecadação na Aldeia Amazônica e no ginásio Maestro Altino Pimenta, na avenida Visconde de Souza Franco.
Segundo a Defesa Civil, a maior necessidade no momento é de alimentos para as famílias atingidas.
A previsão meteorológica indica continuidade das chuvas nos próximos dias, porém com menor intensidade.
As autoridades seguem monitorando a situação para minimizar novos impactos à população de Belém.