
Alice Martins Alves - Reprodução/Redes Sociais
Alice Martins, mulher trans de 33 anos, foi vítima fatal de um incidente após sair de uma unidade do Rei do Pastel na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Os réus pela sua morte, Arthur Caique Benjamin de Souza e William Gustavo de Jesus do Carmo, foram ouvidos pela Justiça de Minas Gerais nesta quinta-feira (9), onde negaram as acusações de agressão e apresentaram versões contraditórias sobre o ocorrido.
Arthur Caique, que está preso e participou da audiência por videoconferência, confirmou que ele e William Gustavo perseguiram Alice Martins para cobrar o pagamento de uma conta de R$ 22, mas negou qualquer agressão. Segundo ele, os ferimentos da vítima teriam sido causados por uma queda. O réu ainda alegou que Alice estava embriagada durante o episódio e que ela era conhecida no estabelecimento por sair sem pagar as contas.
William Gustavo, que responde ao processo em liberdade, corroborou a versão apresentada pelo colega. Ele acrescentou detalhes sobre a dinâmica do ocorrido, afirmando que Arthur Caique saiu primeiro para realizar a cobrança e que agiram após um pedido do gerente do estabelecimento.
Durante a audiência, a Justiça também ouviu três testemunhas:
* Um motoboy que socorreu Alice Martins durante as supostas agressões, testemunha de acusação crucial para o caso
* Duas testemunhas de defesa que apresentaram suas versões sobre o incidente
A defesa de Arthur Caique Benjamin de Souza aproveitou a oportunidade para solicitar a revogação da prisão do réu. A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza estabeleceu um prazo de 24 horas para que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) se manifeste sobre este pedido.
O caso ocorreu em 23 de outubro, quando Alice Martins foi agredida após deixar o estabelecimento onde os réus trabalhavam. De acordo com as investigações, ela foi acusada de não pagar uma conta no valor de R$ 22. Após ser espancada, Alice foi hospitalizada, mas não resistiu às complicações dos ferimentos e faleceu em 9 de novembro.
O Ministério Público de Minas Gerais apresentou denúncia formal contra a dupla, classificando o crime como feminicídio praticado por motivo fútil, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Em nota divulgada na data dos fatos, a empresa Rei do Pastel afirmou estar colaborando com as autoridades na investigação e reforçou não compactuar com ações de discriminação.
O caso Alice Martins continua em andamento na justiça mineira, aguardando as próximas etapas processuais para determinação da responsabilidade criminal dos acusados pelo feminicídio da mulher trans.