
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, anunciou durante a abertura da 31ª edição da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), um programa de financiamento de máquinas agrícolas com a promessa de reduzir os juros pagos pelos agricultores. O "Move Agrícola" prevê a liberação de R$ 10 bilhões, com taxa de "um dígito", dentro de três semanas. "O governo está estruturando o "Move Agrícola" para garantir crédito mais acessível ao produtor e à indústria de máquinas", afirmou Alckmin durante o evento.
Segundo ele, a medida atende a uma demanda recorrente do setor, especialmente em um cenário de juros elevados. Os recursos serão operacionalizados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em parceria com instituições financeiras. O vice-presidente declarou que o programa busca estimular a modernização do parque agrícola brasileiro e, consequentemente, ampliar a competitividade do país no mercado internacional. Além do "Move Agrícola", Alckmin sinalizou outras frentes de atuação do governo federal para o setor agropecuário.
Entre as medidas mencionadas está a ampliação do seguro rural, considerado um dos principais gargalos estruturais do agronegócio brasileiro. Atualmente, a cobertura atinge pouco mais de 7% da área plantada no país, uma limitação reconhecida pelo vice-presidente. "Vamos melhorar o seguro rural com toda a responsabilidade fiscal", disse Alckmin, indicando que eventuais mudanças dependerão do equilíbrio das contas públicas. Outro ponto sensível abordado foi a renegociação das dívidas do setor.
Alckmin confirmou que o governo trabalha em um programa que contemple tanto produtores adimplentes quanto inadimplentes, com o objetivo de reequilibrar financeiramente a atividade no campo. O vice-presidente também mencionou medidas que podem beneficiar o agronegócio indiretamente, como a ampliação da lista de produtos com tarifa de importação zerada e a desoneração das exportações prevista na reforma tributária. A cobrança por medidas concretas partiu de lideranças do setor presentes na cerimônia de abertura da Agrishow.
O deputado federal Arnaldo Jardim, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), reforçou a necessidade de um modelo estruturado de renegociação de dívidas. "É indispensável que ele consiga pagar seus compromissos e retomar sua capacidade produtiva", afirmou o parlamentar. Jardim também falou sobre a urgência de ampliar o seguro rural, argumentando que uma cobertura mais robusta reduziria a necessidade de renegociações frequentes. Ele lembrou que há projetos em tramitação no Congresso para fortalecer a política de seguro, mas que ainda dependem de avanços legislativos.
Em sua primeira participação na Agrishow como ministro da Agricultura, André de Paula adotou um discurso focado na ampliação do crédito e na redução dos custos financeiros. O ministro declarou que pretende buscar um novo recorde de recursos para o próximo Plano Safra, mas ressaltou que o volume, por si só, não é suficiente. "Mais importante do que o montante é garantir taxas de juros que permitam ao produtor acessar esse crédito", declarou. De Paula também se comprometeu a atuar pela aprovação do projeto de lei do seguro rural. Ele defendeu a construção de um modelo sustentável, com mecanismos que garantam continuidade mesmo em cenários de restrição orçamentária.
Outro ponto destacado foi a disposição do ministério em dialogar sobre a renegociação de dívidas. Apesar dos anúncios, representantes do agronegócio expressaram frustração com a falta de medidas mais concretas. Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), uma das entidades organizadoras da Agrishow, classificou o evento como um "dia do não-anúncio". "O governo reconheceu a importância de termos uma autossustentação de fertilizantes, de termos crédito, de termos seguro, mas não houve nada prático nesse sentido", disse.