Patente cai no dia 20 de março

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A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, expira em 20 de março no Brasil, mas consumidores não devem esperar uma redução significativa nos preços tão cedo. Diversos obstáculos regulatórios e industriais impedem a chegada imediata de versões nacionais do medicamento ao mercado.
O Brasil representa o oitavo maior mercado da Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, que planeja iniciar a produção local em Minas Gerais. A farmacêutica dinamarquesa ainda considera recorrer da decisão judicial que negou a extensão de sua patente.
* A Anvisa analisa atualmente 14 pedidos para produção de semaglutida, limitando-se a conceder apenas três autorizações por semestre, processo que pode se estender até 2028
* As versões brasileiras serão similares, não genéricas, o que significa um desconto menor em relação ao medicamento original – cerca de 20% ao invés dos 35% obrigatórios para genéricos
* A complexidade da produção das canetas emagrecedoras exige investimentos bilionários em infraestrutura, com poucos laboratórios brasileiros capacitados para essa fabricação
A EMS, maior farmacêutica do país, projeta que suas canetas chegarão às farmácias apenas no segundo semestre, mesmo sendo uma das primeiras a receber autorização. O vice-presidente da empresa, Marcus Sanchez, afirma: “Um medicamento de menor complexidade poderíamos colocar no mercado em 30 ou 45 dias após a queda de patente, mas este a gente acredita que em menos de 90 dias não é possível.”
Segundo estudo do Itaú BBA, a redução de preços deve ficar limitada a 30% inicialmente, com as canetas sendo vendidas por cerca de R$ 900. A queda mais significativa, de até 50%, só deve ocorrer em um horizonte de cinco anos.
O cenário competitivo também será influenciado pela estratégia da Novo Nordisk, que investirá R$ 6,4 bilhões em sua fábrica em Montes Claros, preparando-se para produzir localmente suas canetas emagrecedoras.
O mercado das canetas emagrecedoras dobrou seu faturamento no último ano, movimentando aproximadamente R$ 12 bilhões no Brasil. As projeções do Itaú BBA indicam que o setor deve atingir R$ 24,6 bilhões em 2026 e R$ 50,8 bilhões até 2030.
A competição no setor deve se intensificar não apenas com as versões nacionais, mas também com novos medicamentos mais potentes e apresentações orais, além do combate necessário ao mercado ilegal, que já preocupa autoridades e fabricantes.