Polícia concluiu que ele não aceitava separação

Mensagens mostram que tenente-coronel ameaçou esposa cinco dias antes do feminicídio
Cinco dias antes de ser assassinada, a soldado Gisele Alves comunicou ao marido, tenente-coronel Geraldo Neto, que estava “praticamente solteira”, recebendo como resposta a ameaça: “Jamais! Nunca será!”. A conclusão da Polícia Civil, baseada em trocas de mensagens via WhatsApp, revela um histórico de ameaças e controle por parte do oficial.
O tenente-coronel foi preso preventivamente e tornou-se réu por feminicídio e fraude processual, após matar Gisele com um tiro na cabeça em seu apartamento no Brás, Centro de São Paulo. De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu em um contexto de abuso psicológico e controle.
Pontos cruciais das mensagens trocadas entre o casal:
* Gisele manifestou claramente seu desejo de divórcio, solicitando os documentos da separação e declarando: “Se considere divorciado”
* O tenente-coronel se autodenominava “macho alfa” e exigia que a esposa fosse uma “fêmea beta obediente e submissa”
* Geraldo impunha regras rígidas, proibindo Gisele de cumprimentar outros homens com beijo no rosto e abraços, além de controlar suas vestimentas
* O oficial exercia controle financeiro, usando sua posição de “provedor” para exigir relações sexuais e submissão
O caso está sob investigação e deverá ser julgado pela Justiça comum, com possibilidade de ir a júri popular. O Ministério Público solicitou indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima em caso de condenação.
Laudos periciais, reprodução simulada e mensagens do celular indicam que Geraldo segurou a cabeça de Gisele e atirou nela com sua arma, descartando a hipótese de suicídio. Após o crime, o oficial teria manipulado a cena, colocando a arma na mão da vítima e tomando banho para eliminar vestígios.
Este é o primeiro caso envolvendo um oficial da Polícia Militar de São Paulo preso por feminicídio desde 2015, quando o crime foi incluído na legislação brasileira. A defesa do acusado nega as acusações e questiona a competência da Justiça Militar no caso.