Encontro foi realizado nesta quarta (18)

Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados
A primeira sessão da Comissão da Mulher da Câmara sob a presidência da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi marcada por intensas discussões e terminou sem aprovação de propostas. O encontro, realizado nesta quarta-feira, 18, foi caracterizado por embates entre a presidente e deputados da oposição.
A tensão dominou o ambiente desde o início, com a oposição, composta principalmente por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), manifestando forte resistência à condução dos trabalhos. O grupo anunciou medidas contra a presidência de Erika Hilton, incluindo:
* A apresentação de recurso contestando a eleição que a colocou no comando da comissão
* O protocolo de uma representação no Conselho de Ética contra a deputada
* A articulação de um projeto de resolução para modificar o Regimento Interno da Câmara, visando impedir que mulheres trans assumam a presidência da Comissão
Durante a sessão, diversos conflitos emergiram. Os oposicionistas protestaram contra a ausência de seus requerimentos na pauta de votação, apresentados horas antes. Erika Hilton justificou a não inclusão citando questões técnicas e se comprometeu a incluí-los na próxima sessão, prevista para abril.
Um dos momentos mais tensos ocorreu quando foram mencionadas publicações da presidente nas redes sociais. Erika Hilton defendeu-se de acusações sobre uma postagem específica, afirmando: “Aquela postagem não se referia às mulheres, aquela postagem se referia ao esgoto da sociedade, à internet e às redes sociais”.
O clima se agravou ainda mais quando o deputado Pastor Eurico (PL-PE) fez questionamentos considerados transfóbicos à presidente. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) interveio, destacando: “Honestamente, enquanto tem gente que pergunta o tamanho do útero dos outros no Brasil, mulheres estão sendo assassinadas todos os dias pela violência machista”.
Vale ressaltar que recentemente, Erika Hilton entrou com ações contra o apresentador Ratinho, que questionou sua presidência na comissão com declarações consideradas discriminatórias. A deputada solicitou investigação criminal e danos morais coletivos ao Ministério Público, além da suspensão do programa por 30 dias.
A sessão, que durou pouco mais de duas horas, terminou sem conseguir aprovar nenhuma proposta, mesmo após tentativas de acordo entre as partes para votação de temas consensuais. A próxima reunião está prevista para abril, após o período da janela partidária.