
Valter Campanato/Agência Brasil
Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, demonstrou resistência em declarar apoio imediato à candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, escolhido pelo PSD nesta segunda-feira. A postura do governador gaúcho contrasta com a do governador do Paraná, Ratinho Junior, que prontamente endossou Caiado após desistir da disputa interna. Em manifestação pública, Eduardo Leite expressou sua decepção com a decisão do partido através de um vídeo que alcançou quase 50 mil curtidas.
"Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso país, eu não vou discutir essa decisão", declarou o governador.
Pontos principais do posicionamento de Eduardo Leite:
- O governador gaúcho vinha trabalhando há meses para se viabilizar como candidato presidencial, mas teve seus planos alterados com a filiação inesperada de Caiado ao PSD em janeiro
- Aliados próximos indicam que a decisão de apoiar Caiado "vai depender do que Caiado vai defender", demonstrando preocupação especialmente com a promessa de anistia a Jair Bolsonaro e aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro
- Em sua manifestação, Leite criticou o ambiente de polarização política: "O Brasil está cansado, muito cansado, de uma disputa que aprisiona o debate entre os extremos"
A decisão do PSD foi baseada em pesquisas internas que, segundo Gilberto Kassab, presidente do partido, indicavam melhor desempenho nacional de Caiado. No entanto, interlocutores de Eduardo Leite contestam essa avaliação, afirmando que outros três institutos apontavam maior viabilidade do governador gaúcho. O cenário político no Rio Grande do Sul, quinto maior colégio eleitoral do país, permanece indefinido.
Leite confirmou que não renunciará ao governo do estado, permanecendo no cargo até janeiro de 2027, e apoiará a candidatura de seu vice, Gabriel Souza (MDB), à sua sucessão. A disputa local envolve o bolsonarista Luciano Zucco (PL), que lidera as pesquisas e conta com apoio de Flávio Bolsonaro, enquanto a esquerda ainda define seu candidato entre Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT). Em conclusão, a hesitação de Eduardo Leite em apoiar Caiado adiciona um elemento de incerteza à campanha presidencial do PSD, especialmente considerando a importância do Rio Grande do Sul no cenário eleitoral nacional.