Aumento chega a 19,4% desde fevereiro

Caminhoneiros seguem com ameaça de greve por alta do diesel
Os caminhoneiros brasileiros ameaçam uma nova paralisação nacional em resposta ao aumento significativo do preço do diesel, que subiu 19,4% desde o final de fevereiro, quando iniciaram os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã. A situação pressiona o governo Lula, que tenta evitar uma repetição da greve de 2018.
“Estamos muito mais organizados do que em 2018”, afirma Wallace Landim, conhecido como Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), em entrevista à BBC News Brasil.
* O governo federal anunciou uma série de medidas para conter os preços, incluindo a isenção do PIS/Cofins, subvenção para produtores e distribuidores, e imposto sobre exportação
* No dia seguinte aos anúncios, a Petrobras elevou em R$ 0,38 por litro o preço do diesel A nas refinarias
* O Ministério dos Transportes intensificou a fiscalização do piso mínimo do frete
* Foi proposta aos Estados a desoneração do ICMS sobre importação de diesel, com compensação de 50% pela União
A mobilização atual tem motivação puramente econômica, diferentemente de protestos recentes com cunho político. Segundo Landim, “Com esses altos preços de combustíveis, a categoria está pagando para trabalhar e não fecha a operação”.
A categoria reivindica medidas adicionais, como a reestatização da Petrobras Distribuidora, maior fiscalização das redes de postos, implementação de preço mínimo operacional e isenção de pedágio para caminhões vazios.
O economista Sergio Vale, da MB Associados, alerta que o risco de uma greve com impactos negativos para a economia é real. Em 2018, a paralisação dos caminhoneiros reduziu 1,2 ponto percentual do PIB, causando desabastecimento no comércio e paralisando diversos setores da economia.
O governo mantém diálogo com o setor através do Ministério do Transporte, Casa Civil e do Fórum Permanente para o Transporte Rodoviário de Cargas. No entanto, seu espaço de manobra é limitado devido às restrições fiscais e à necessidade de cumprir metas do resultado primário.
A situação permanece tensa, com os caminhoneiros avaliando se as medidas anunciadas pelo governo são suficientes para desmobilizar o indicativo de greve. Sem perspectiva de resolução do conflito no Oriente Médio e com preços dos combustíveis ainda pressionados, o cenário continua incerto para o setor de transportes.