Isenção ainda não chegou à metade dos brasileiros

Foto: José Cruz/Agência Brasil
Uma nova pesquisa realizada pela Quaest, divulgada nesta quinta-feira (12), revelou dados significativos sobre o impacto da recente isenção do imposto de renda para rendimentos até R$ 5 mil mensais. O estudo demonstra uma divisão clara na percepção dos brasileiros sobre os efeitos desta medida em suas finanças pessoais.
De acordo com o levantamento encomendado pela Genial Investimentos, que entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 5 e 9 de fevereiro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, os resultados mostram:
* 15% dos entrevistados relataram um aumento significativo na renda
* 32% notaram um aumento, porém considerado modesto
* 50% não perceberam qualquer diferença
* 3% não souberam responder ou não responderam
A nova legislação, que entrou em vigor em janeiro deste ano, estabelece a isenção do imposto de renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil (equivalente a R$ 60 mil anuais). Antes da implementação, projetava-se um incremento de R$ 312,89 na renda mensal dos trabalhadores que recebem R$ 5 mil por mês.
Segundo Bruno Carazza, doutor em Direito Econômico pela UFMG e comentarista do Jornal da Globo, aproximadamente 15 milhões de contribuintes são beneficiados por esta medida. A lei, que foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula (PT), também prevê um desconto progressivo para rendimentos até R$ 7.350 mensais.
Para rendas superiores a R$ 600 mil anuais, a legislação estabelece uma nova sistemática de cobrança. Por exemplo, para rendimentos de R$ 600.001,00, aplica-se uma alíquota de 0,000017%, resultando em um pagamento de aproximadamente R$ 0,10. Já para ganhos anuais de R$ 615 mil, a alíquota sobe para 0,25%, com imposto mínimo de R$ 1.537,50.
Carazza estima que entre 140 mil e 150 mil pessoas, que recebem mais de R$ 50 mil mensais (ou R$ 600 mil anuais), passarão a contribuir com parte do custo desta medida de isenção.