Blocos representam 30% do PIB mundial

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Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, anunciou que o bloco europeu implementará provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul, após a ratificação realizada por Uruguai e Argentina. A decisão marca um avanço significativo nas relações comerciais entre os dois blocos econômicos.
O acordo, que eliminará tarifas para mais de 90% do comércio entre as regiões, envolve os 27 Estados da União Europeia e os países fundadores do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai). Em conjunto, os blocos representam 30% do PIB mundial e um mercado consumidor superior a 700 milhões de pessoas.
“Isso é uma ótima notícia, porque demonstra a confiança e o entusiasmo de nossos parceiros em levar adiante nosso relacionamento e fazer com que este acordo histórico funcione”, declarou Von der Leyen sobre a ratificação no Mercosul.
A implementação provisória tornou-se uma alternativa após o Parlamento Europeu encaminhar os termos do acordo ao Tribunal da União Europeia, processo que poderia atrasar a vigência do tratado por até dois anos. Von der Leyen esclareceu que “a expressão aplicação provisória é, por sua própria natureza, provisória. Está no próprio nome. Em conformidade com os tratados da UE, o acordo só poderá ser totalmente concluído após a aprovação do Parlamento Europeu”.
Contudo, o acordo enfrenta resistências significativas. O presidente francês Emmanuel Macron manifestou-se contrário ao tratado, argumentando que este foi negociado com base em princípios ultrapassados. Na França, grupos de agricultores realizaram protestos em Paris, incluindo manifestações com tratores em frente a pontos turísticos como a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo.
Na Irlanda, também há oposição ao acordo. O vice-primeiro-ministro Simon Harris declarou que “infelizmente, o resultado dessas negociações é que, embora a UE tenha concordado com uma série de medidas adicionais, elas não são suficientes para atender às expectativas dos nossos cidadãos”.
Brasil e Paraguai devem seguir o exemplo de Uruguai e Argentina nos próximos dias, ratificando o acordo. O governo brasileiro já previa a implementação provisória do acordo pela Comissão Europeia após a ratificação por um país sul-americano.