Banco está hoje em liquidação

Indicados de Alcolumbre ignoraram alertas e aprovaram investimento de R$ 100 milhões no Master
Alvos de operação da Polícia Federal (PF), o presidente afastado da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, e o conselheiro José Milton Gonçalves, indicados pelo presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), forçaram aprovação de investimento de R$ 100 milhões no Banco Master, ignorando alertas técnicos sobre riscos.
Durante reunião extraordinária em julho de 2024, os conselheiros aprovaram o aporte mesmo após parecer da Caixa Econômica Federal apontar alto risco de solvência do banco. O episódio ocorreu uma semana depois da revelação de que a Caixa Asset havia destituído dois gerentes que se opuseram à compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Master.
* O conselheiro José Milton Gonçalves apresentou a proposta de aquisição de R$ 100 milhões em letras financeiras do Master, elevando o total investido pela Amprev para R$ 300 milhões.
* Dois conselheiros, Alexandre Monteiro e Gláucio Bezerra, manifestaram preocupação com o investimento, solicitando diligências e esclarecimentos junto ao Master, TCU e Caixa Econômica.
* O presidente Jocildo Lemos interrompeu as discussões, minimizou o parecer técnico e insistiu na votação imediata, prometendo que a operação só seria finalizada após visita física ao banco.
* A proposta foi aprovada com três votos favoráveis (Lemos, Gonçalves e Jackson Oliveira) contra dois contrários (Bezerra e Monteiro).
Gonçalves, que ficou responsável pela diligência no Master, já era investigado por irregularidades no fundo de previdência de Macapá. Apesar de uma determinação do Tribunal de Justiça do Amapá em setembro de 2025 para seu afastamento, a Amprev não acatou a decisão.
O vínculo entre o clã Alcolumbre e o fundo de pensão ganhou destaque após a liquidação do Master pelo Banco Central, com receio de perdas nos R$ 400 milhões investidos, já que as letras financeiras não têm cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Em nota recente, Alcolumbre negou apadrinhamento das indicações e defendeu a apuração do caso “com transparência e respeito ao devido processo legal”.