Fenômeno El Niño atingiu importantes produtores

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Páscoa de 2026 será marcada por um aumento significativo nos preços dos ovos de chocolate, com variações que chegam a 26% em comparação ao ano anterior. O encarecimento é reflexo direto da crise histórica na produção de cacau ocorrida em 2024/2025, quando plantações foram devastadas pelo fenômeno El Niño em importantes países produtores.
Um levantamento realizado pelo portal Seu Dinheiro revelou aumentos expressivos em alguns dos ovos de Páscoa mais populares do país:
* O ovo Sonho de Valsa de 277g, da Lacta, registrou o maior aumento, com 26,64%, passando de R$ 45,00 para R$ 56,99
* O Crocante de 227g, da Garoto, teve elevação de 24,98%, indo de R$ 48,00 para R$ 59,99
* O Tortuguita Baunilha de 120g, da Arcor, foi o único a apresentar variação negativa, com redução de 0,02%, saindo de R$ 43,00 para R$ 42,99
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) explica em nota: “O mercado ficou com um déficit de 700 mil toneladas. Mas não é só o cacau que pesa na formação dos preços: outros insumos como leite, açúcar, frete e variação do dólar devem ser levados em conta”.
O cenário atual é de transição, com países como Costa do Marfim, Equador e Brasil aumentando seus investimentos na produção. Ahmed El Khatib, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FECAP, analisa: “O Brasil vem recuperando produtividade na Bahia e expandindo no Pará. Com preços ainda historicamente elevados, embora abaixo do pico, a rentabilidade do produtor melhorou significativamente”.
Para os consumidores que buscam alternativas mais econômicas, especialistas sugerem algumas opções:
* Optar por barras de chocolate e caixas de bombom, que apresentam melhor custo-benefício
* Buscar produtos de fabricação local e artesanal, que costumam ter preços mais competitivos
* Aguardar as promoções pós-Páscoa, quando os preços tendem a cair significativamente
Apesar da atual alta nos preços dos ovos de Páscoa, dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO) indicam que o setor deve encerrar 2026 com um superávit global de aproximadamente 200 mil toneladas. Na Bahia, principal estado produtor do Brasil, a arroba do cacau em Ilhéus apresentou queda significativa, passando de R$ 803,69 para R$ 238,19, segundo a Federação da Agricultura do Estado da Bahia.