A chave para um bom ano é começar sem cobranças excessivas, valorizando seu caminho e não apenas resultados

Claudia Matarazzo: ‘Para começar o ano sem culpa’
A chave para um bom ano é começar sem cobranças excessivas, valorizando seu caminho e não apenas resultados
Uma amiga certa vez confessou que o mês de janeiro, com o início do ano em nosso clima tropical, em vez de lhe passar uma sensação de férias e descanso causava-lhe desassossego. Era como se sentisse culpa por não estar ativa, por começar o ano no lazer e no “dolce far niente”.
Fiquei pensando naquilo porque comigo acontece exatamente o contrário: a cada começo de ano sou tomada por uma sensação de euforia e esperança, começo a fazer planos (e não mais listas) e gosto de colocar mãos a obra para concretizar os mesmos.
Ora, começar o ano com essa culpa e carga de “ tenho que fazer algo produtivo” é o caminho para uma série de frustrações! É, de cara, admitir que é preciso colocar mais esforço e energia no que quer que seja. Quando, sabemos que, por uma série de razões, chegamos ao final de todo ano drenados, cansados, ou, no mínimo, irritados com tanta demanda…
Por isso, um conselho para começar seu ano de forma positiva: escolha ser gentil com você mesmo/a e com sua vida. Escolha cobrar-se menos, e sempre questionar de que maneira poderá fazer essa ou aquela tarefa (ou missão) de forma mais amena.
As listas de desejos do início de 2025 talvez ainda estejam ali, com alguns itens riscados, outros esquecidos, e alguns que, honestamente, já nem fazem mais tanto sentido. Mas a verdade é que, se você realizou pelo menos um deles, ou simplesmente sobreviveu a tudo o que este ano trouxe, você cresceu, concretizou um algo que era apenas intenção. E que provavelmente agregou algo a sua vida. Ou deixou de incomodar como “sonho não realizado!”
Vivemos uma inversão de valores em um mundo intenso, com ritmo acelerado. Expectativas, muitas comparações e a pressão por resultados fazem parecer que só vale quem “chegou lá”. Mas talvez, o verdadeiro sucesso seja simplesmente seguir em frente — com coragem, com cansaço, com fé ou mesmo com dúvidas – mas seguir.
Realizar um desejo não precisa ser algo grandioso – pode ter sido aquela viagem adiada há anos, uma mudança de carreira, ou simplesmente o hábito de cuidar melhor de si. Às vezes, o sonho era ter paz — e, se você encontrou um pouco dela, mesmo entre altos e baixos, isso é uma grande conquista!
As coisas não saíram como planejado? Tudo bem. Crescer também é aprender a lidar com o imprevisível, reescrever planos, abrir mão do controle. Há uma beleza heroica em quem atravessa o ano inteiro e chega ao fim ainda acreditando — em si, na vida, e nas novas possibilidades que vêm com o próximo ciclo.
Então, antes de sucumbir aquela sensação de “ainda não fiz o suficiente”, olhe com gentileza para o seu próprio caminho.Você realizou, sim — talvez não tudo, mas o que era possível. Você sonhou, tentou, errou, ajustou, recomeçou. E isso é evolução.
Se conseguiu riscar um item da lista, celebre. Se não riscou nenhum, mas sobreviveu, aprendeu e se manteve de pé, celebre ainda mais. Porque no caminho podem existir pausas, desvios e ajustes. O importante e continuar a caminhar e não perder de vista a sinalização do destino. Que com o tempo, também pode mudar. Pense nisso
