Operações comprometeram estrutura do banco

BRB deve apresentar plano ao BC para pagamento de R$ 5 bilhões após operações com o Master nesta sexta
O Banco de Brasília (BRB) enfrenta um momento crucial ao ter que apresentar ao Banco Central (BC) um plano de recomposição patrimonial de R$ 5 bilhões nesta sexta-feira (6), em decorrência das operações realizadas com o Banco Master. O plano visa fortalecer a estrutura financeira da instituição após transações questionáveis envolvendo carteiras de crédito.
Entre 2024 e 2025, o BRB direcionou aproximadamente R$ 12 bilhões para a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master, consideradas de baixa qualidade e sem garantias adequadas. A situação se agravou quando foi descoberto que estes mesmos ativos haviam sido adquiridos pelo Master por menos da metade do valor pago pelo banco brasiliense.
* O BC interviu após constatar irregularidades nas operações, incluindo o fato de que o Banco Master não havia quitado a compra original das carteiras, mesmo tendo recebido os recursos à vista do BRB.
* O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, realizou reuniões em São Paulo para negociar a venda de ativos adquiridos do Master, envolvendo carteiras e fundos avaliados em aproximadamente R$ 21,9 bilhões.
* Entre as alternativas em análise está a criação de um fundo lastreado em imóveis do governo do Distrito Federal, que poderia ser transferido ao banco ou usado como garantia junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Técnicos consultados afirmam que não há risco de falência do BRB, principalmente devido ao suporte do governo do Distrito Federal, que detém 71,92% do capital do banco e possui um patrimônio imobiliário estimado em mais de R$ 200 bilhões.
O caso está sob investigação do Ministério Público, que apura indícios de gestão fraudulenta nas operações que totalizaram R$ 16,7 bilhões transferidos ao Banco Master, que foi posteriormente liquidado pelo BC em novembro devido à grave crise de liquidez.
O reforço de capital é considerado fundamental para que o BRB mantenha os níveis de solidez exigidos pelo sistema financeiro nacional, garantindo o cumprimento das regras de solvência do setor bancário.