Liquidação foi realizada em 2025

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Oito fundos previdenciários estaduais e municipais que investiram em letras financeiras do banco Master estão enfrentando situação deficitária após a liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025. O levantamento, realizado pela GloboNews com base nos balanços do Ministério da Previdência Social, analisou 18 fundos que investiram aproximadamente R$ 1,86 bilhão no banco de Daniel Vorcaro.
A análise dos Demonstrativos de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA) de 2025 revelou a seguinte situação dos fundos deficitários:
* IPREM de Santa Rita do Oeste (SP) apresenta déficit de R$ 988,4 mil
* PreviPaulista registra déficit de R$ 222,7 mil
* Maceió Previdência com déficit de R$ 299,4 milhões
* Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande acumula déficit de R$ 124,8 milhões
* ARARAPREV mostra déficit de R$ 72,4 milhões
* Rioprevidência apresenta déficit de R$ 16,7 bilhões para servidores civis e R$ 8,7 milhões para militares
* Amazonprev registra déficit de R$ 751,1 milhões para servidores civis
* Amprev acumula déficit de R$ 394,9 milhões para servidores militares
O advogado e professor de Direito Previdenciário Rômulo Saraiva, autor do livro “Fraude nos Fundos de Pensão”, considera grave a aplicação de recursos destinados a aposentados em investimentos de alto risco como as letras financeiras do Banco Master. Segundo ele, “mesmo que o regime previdenciário esteja em superávit financeiro, não se justifica investir em papéis podres e num banco cujo mercado financeiro já apontava falta de reputação e lastro financeiro para honrar os compromissos”.
Importante ressaltar que os valores aplicados por fundos previdenciários e fundos de investimento no Master não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, sendo incluídos na massa de credores da liquidação do banco.
Em resposta à situação, diversos fundos têm se manifestado. O PreviPaulista afirma que a compra foi realizada na gestão anterior e está tomando medidas judiciais para recuperar os valores. O Maceió Previdência argumenta que o banco estava devidamente habilitado quando realizou os investimentos. O Rioprevidência conseguiu uma vitória judicial para retenção de valores relacionados aos empréstimos consignados, visando proteger um crédito estimado em R$ 970 milhões.