Eles tentaram coagir testemunha

Parentes de suspeitos da morte do cão Orelha são indiciados
A morte do cachorro Orelha em Florianópolis ganhou novos desdobramentos com o indiciamento de três parentes dos adolescentes suspeitos do crime. Dois empresários e um advogado foram indiciados pela Polícia Civil por coação de testemunha, após supostamente ameaçarem um vigilante que presenciou as agressões ao animal.
O caso ocorreu na Praia Brava, área nobre de Florianópolis, entre os dias 3 e 4 de janeiro. O cachorro Orelha, conhecido por sua docilidade e que vivia sob os cuidados da comunidade local, foi encontrado em estado crítico e precisou ser submetido à eutanásia no dia 5 de janeiro em um hospital veterinário.
* A polícia identificou quatro adolescentes suspeitos de participação no crime, sendo que dois deles encontram-se atualmente nos Estados Unidos
* Uma operação policial realizada na segunda-feira (26) resultou na apreensão de celulares e dispositivos eletrônicos nos endereços dos adolescentes e seus responsáveis
* Mais de 20 pessoas já foram ouvidas pela investigação, que também analisa imagens de 14 câmeras de segurança, totalizando mais de mil horas de gravação
* A delegada Mardjoli Valcareggi afirma: “Nós temos aí uma janela de mais de 72 horas de 14 câmeras de monitoramento, de gravações. Isso significa mais de mil horas para análise”
O laudo veterinário confirmou que o animal, de aproximadamente dez anos, sofreu múltiplas agressões, incluindo uma pancada na cabeça, embora o objeto utilizado não tenha sido localizado. O vigilante que testemunhou as agressões foi afastado de suas funções por questões de segurança após as supostas ameaças.
A arquiteta Carolina Zylan, que conhecia o animal, compartilhou sua memória: “O Orelha era um cachorro tão carinhoso, que a gente ia dar carinho para ele e, na verdade, quem recebia o carinho éramos nós”. O ambulante Claudio Carvalho expressou o desejo por justiça: “O que mais a gente quer no momento é que sejam punidas as pessoas que fizeram isso com ele, e que isso sirva de exemplo para que ninguém mais possa fazer isso com animal nenhum”.
A Polícia Civil também revelou que o mesmo grupo de adolescentes é suspeito de tentar afogar outro cachorro conhecido como Caramelo, que conseguiu escapar. O caso provocou grande comoção social e mobilização nas redes sociais, com grupos organizados pedindo justiça pela morte do cachorro Orelha.