Evento ocorreu no último sábado (10)

Foto: Reprodução
O Ministério Público e a Polícia Civil do Rio Grande do Norte iniciaram investigações sobre um incidente envolvendo um adolescente que utilizou um uniforme com referências às forças armadas nazistas durante uma festa de formatura em Mossoró, no Oeste potiguar. O evento ocorreu no sábado (10), e as imagens do jovem realizando inclusive a saudação nazista viralizaram nas redes sociais.
O caso está sendo conduzido em diferentes frentes investigativas:
* A Polícia Civil, através do delegado Rafael Arraes, instaurou um inquérito para apuração do caso. Como o adolescente reside no Ceará, serão expedidas cartas precatórias para oitivas do jovem e seus responsáveis através da Delegacia Especializada de atendimento ao Adolescente Infrator (DEA) de Mossoró.
* A 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró iniciou um procedimento extrajudicial para coletar informações sobre o incidente, agrupando diversas manifestações recebidas em um único processo para otimizar a investigação.
Vale ressaltar que a apologia ao nazismo é considerada crime no Brasil desde 1989, com pena de reclusão de dois a cinco anos e multa. No caso em questão, por se tratar de um adolescente, é considerado ato infracional análogo ao crime.
Em resposta ao ocorrido, o adolescente publicou um vídeo nas redes sociais pedindo desculpas, classificando o traje como uma “fantasia inadequada”. Ele explicou que costuma usar fantasias de personagens históricos e que adquiriu a roupa em uma feira em Fortaleza, alegando não ter dimensionado as consequências de seus atos.
Segundo a organização do evento, Master Produções e Eventos, o jovem compareceu à festa como convidado de duas formandas e entrou no local “sem qualquer vestimenta inadequada”, realizando a troca de roupa após o cerimonial para registros fotográficos.
A Facene, instituição responsável pela formatura, emitiu nota afirmando que não participou da organização do evento e repudiou veementemente a manifestação, classificando-a como “repugnante” e “incompatível com os princípios éticos, humanísticos e acadêmicos” da instituição.
O Conselho Tutelar da 34ª Zona de Mossoró manifestou-se informando que a responsabilidade pela investigação cabe à autoridade policial, por se tratar de suposto ato infracional, mas reiterou seu repúdio a quaisquer práticas discriminatórias ou que coloquem adolescentes em situação de risco.