Caso ocorreu em Cinfães

Foto: Reprodução
O caso do menino brasileiro José, de 9 anos, que teve dois dedos mutilados durante um episódio de bullying em uma escola em Cinfães, Portugal, expôs um problema crescente de xenofobia e violência contra crianças imigrantes no país europeu.
O incidente mais grave aconteceu em 10 de novembro, quando duas crianças encurralaram José no banheiro e fecharam a porta em sua mão, resultando na amputação das pontas de dois dedos. O menino precisou passar por três horas de cirurgia, mas não foi possível reconstituir as partes amputadas.
* Antes do episódio da mutilação, José já havia sofrido outras agressões, incluindo:
* Puxões de cabelo e pontapés
* Uma tentativa de enforcamento que deixou hematomas no pescoço
* Perseguições constantes por parte dos colegas
* A mãe de José, Nívia Estevam, relata que:
* Procurou a escola diversas vezes para alertar sobre o problema
* Não recebeu respostas satisfatórias da instituição
* Encontrou o local do incidente já limpo quando chegou para socorrer o filho
* Os funcionários minimizaram o ocorrido, alegando ser “apenas uma brincadeira”
O Ministério da Educação português abriu uma investigação formal sobre o caso de José, e a Inspeção-Geral da Educação confirmou a abertura de um processo para apurar o ocorrido. O Agrupamento de Escolas de Souselo também instaurou um inquérito interno.
Segundo especialistas, o aumento da violência contra crianças imigrantes reflete um crescente sentimento anti-imigração em Portugal. Dados do Conselho Europeu mostram que em 2023 foram registradas 347 queixas por crimes de ódio no país, mais de cinco vezes o número registrado em 2018.
A família de José decidiu se mudar de cidade após a repercussão do caso e considera retornar ao Brasil. O menino está recebendo apoio psicológico voluntário e a família conta com assistência jurídica para acionar o Ministério Público.