Artigo fala da “estratégia Taco”

Foto: Ricardo Stuckert/PR
O Financial Times publicou nesta sexta-feira (28/11) um artigo destacando como o Brasil conseguiu uma vitória significativa sobre o presidente americano Donald Trump, demonstrando eficácia na chamada “estratégia Taco” (Trump Always Chickens Out – “Trump sempre amarela”, em tradução livre).
A jornalista Gillian Tett, autora do artigo, analisa o recente recuo de Trump na aplicação de tarifas contra produtos brasileiros, destacando três lições importantes sobre o comportamento do presidente americano em negociações internacionais.
* Trump suspendeu as tarifas de 40% sobre diversos produtos agrícolas brasileiros, após ter anunciado a medida quatro meses antes em retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e à pressão contra empresas de tecnologia americanas.
* O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu com firmeza à intimidação, defendendo os tribunais e aumentando sua popularidade interna, o que resultou na vitória brasileira.
* A Casa Branca demonstra preocupação crescente com as pressões do custo de vida, considerando que pesquisas recentes mostram queda na confiança do consumidor e na taxa de aprovação de Trump.
* A primeira lição indica que a administração Trump está mais sensível às questões econômicas internas, buscando reduzir preços de alimentos através do corte de tarifas agrícolas.
* A segunda demonstra que demonstrações de força são efetivas contra práticas de intimidação, citando exemplos da China e do Brasil.
* A terceira ressalta a importância de diferenciar táticas de objetivos ao analisar as ações da Casa Branca, destacando que a imprevisibilidade de Trump é sua única característica previsível.
A jornalista conclui que, apesar dos “caprichos narcisistas” de Trump, suas decisões são frequentemente táticas e não ideológicas, permitindo mudanças de rumo quando as medidas se mostram contraproducentes ou surgem prioridades maiores. O sucesso do Brasil nesta negociação, segundo o artigo, envia sinais positivos para outros países, demonstrando que “os reis raramente são tão onipotentes quanto parecem”.