Sem centroavante, Galo sofre para converter posse em gols

Domínguez em Galo x Chape (Foto: Pedro Souza / Atlético)
O Atlético não marca há três jogos consecutivos e enfrenta o Grêmio precisando reverter desvantagem de 2 a 0 na Copa do Brasil
Ter a bola, finalizar e não marcar. Esse tem sido um dos principais problemas do Atlético na reta final da temporada. Nas últimas três partidas, nas derrotas para Cruzeiro, Grêmio e Botafogo, o Galo acumulou 50 finalizações e uma média de 66,7% de posse de bola, mas não conseguiu balançar as redes nenhuma vez. A dificuldade para transformar o volume ofensivo em gols acende um alerta para o técnico Eduardo Domínguez às vésperas da decisão contra o Grêmio, no próximo sábado (7/11), pelo jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil, já que o time mineiro precisa reverter a derrota por 2 a 0 sofrida em Porto Alegre.
O Atlético vive uma sequência de cinco derrotas consecutivas, com partidas que tiveram contextos bastante distintos. A má fase começou diante do Montevideo City Torque, no jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana. Na ocasião, o Galo teve apenas 35% de posse de bola e finalizou somente quatro vezes — desempenho justificado pelo fato de que a equipe chegou a Montevidéu após vencer por 3 a 0 o jogo de ida. Na partida seguinte, na derrota por 3 a 2 para o Flamengo, no Maracanã, o Atlético enfrentou dificuldades para controlar a bola diante de um adversário superior, registrando apenas 28% de posse e cinco finalizações. Ainda assim, diferentemente dos jogos seguintes, a equipe conseguiu marcar duas vezes.
A mudança de característica do problema
A partir do clássico contra o Cruzeiro, o problema ganhou uma nova dimensão. Ciente de que nos dois jogos anteriores o Galo havia pecado na postura, a equipe de Eduardo Domínguez passou a ser mais agressiva com a bola, mas perdeu a capacidade de converter esse volume em gols. Na derrota por 1 a 0 para a Raposa, na Arena MRV, o Atlético terminou a partida com 56% de posse de bola e 17 finalizações, sem marcar nenhum gol. O problema se repetiu contra o Grêmio, no último domingo (1º/11), em Porto Alegre. Mesmo com expressivos 76% de posse de bola e 20 finalizações, o Atlético perdeu por 2 a 0. A equipe mineira dominou a bola, mas encontrou dificuldades para furar a defesa gremista, que se organizou em linhas baixas e apostou nas transições ofensivas para definir o placar. Já contra o Botafogo, nesta quarta-feira (4/11), o cenário foi semelhante, ainda que o Atlético tenha entrado em campo com uma equipe formada majoritariamente por reservas. O time teve uma postura ofensiva, terminou a partida com 68% de posse de bola e 13 finalizações, mas voltou a passar em branco na derrota por 1 a 0, no estádio Nilton Santos.
A ausência de um centroavante de referência
Um dos fatores que ajudam a explicar a queda de eficiência ofensiva é a falta de um centroavante de referência. Com Thiago Borbas, Reinier e Cassierra no departamento médico, Domínguez precisou improvisar alternativas no comando do ataque nas últimas partidas.
Contra o Grêmio, por exemplo, o treinador utilizou Victor Hugo em uma função mais avançada.
Diante do Botafogo, foi a vez do jovem Cauã Soares assumir a posição. Embora tenham características distintas, nenhum deles serviu como solução para a dificuldade do Atlético em transformar a posse de bola em gols. A ausência de um centroavante, no entanto, não explica sozinha os problemas do Atlético. A equipe também tem demonstrado dificuldades na construção das jogadas, especialmente para encontrar passes mais incisivos, e vem esbarrando na falta de criatividade de peças que deveriam desequilibrar os jogos, como seria o caso de Dudu e Scarpa no confronto contra o Botafogo. Para o duelo contra o Grêmio, Domínguez terá o retorno de Cassierra no setor ofensivo, o que pode ajudar a resolver parte do problema. Com dois gols de desvantagem, o Atlético precisa de, pelo menos, uma vitória por três gols de diferença para avançar à final da Copa do Brasil. Caso vença por dois gols, a decisão vai para os pênaltis. Qualquer outro resultado classifica o Tricolor Gaúcho.
*Números do site Sofascore



