Zelensky suspende ataques à energia russa após cessa-fogo proposto por Trump

Foto: Reprodução
Zelensky anuncia pausa de dois dias nos ataques a refinarias russas para testar cessar-fogo energético proposto por Trump
A Ucrânia suspendeu por dois dias os ataques a refinarias de petróleo russas e outras infraestruturas energéticas, conforme anunciou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky nesta terça-feira (13). A decisão foi tomada para dar uma chance ao "cessar-fogo energético" proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no domingo (11). Apesar da suspensão, Zelensky denunciou que a Rússia continuou atacando instalações de energia ucranianas mesmo após o anúncio de Trump. "Durante esse período, os russos atacaram tanto nossas instalações de energia quanto nossa infraestrutura crítica, enviando sinais absolutamente claros de que não têm intenção de se abster de ataques contra a Ucrânia", afirmou o líder ucraniano em publicação na rede social X.
O anúncio de Trump foi feito no domingo (11) por meio de uma publicação nas redes sociais, na qual o presidente americano afirmou que Rússia e Ucrânia haviam concordado em suspender imediatamente os ataques às instalações de energia uma da outra. No entanto, Trump não apresentou detalhes sobre o suposto acordo. O Kremlin, por sua vez, afirmou que os contatos sobre o cessar-fogo continuam em andamento, mas não confirmou a existência de um acordo formal e se recusou a esclarecer se a possível trégua se restringiria aos ataques contra refinarias de petróleo. Durante participação no Fórum de Segurança de Varsóvia, na Polônia, Zelensky afirmou que o governo ucraniano soube do anúncio de Trump pela imprensa e que não recebeu confirmação de Moscou sobre a suspensão dos ataques. O presidente declarou que a Ucrânia está disposta a respeitar um cessar-fogo energético, desde que a Rússia faça o mesmo. "Apoiamos a proposta, mas não ouvi nenhuma aprovação por parte da Rússia", declarou. Segundo Zelensky, após a publicação de Trump, forças russas atingiram uma usina de energia em Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, além de uma instalação de produção de gás e um posto de combustíveis. "Ficou claro que Putin não lê o Truth Social", ironizou o presidente ucraniano, em referência à rede social usada por Trump para anunciar o suposto acordo.
A suspensão dos ataques ao setor energético é um dos pontos centrais das negociações para encerrar a guerra, iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022. Ao longo do conflito, a Rússia tem bombardeado instalações responsáveis pelo fornecimento de eletricidade, aquecimento e água na Ucrânia, prejudicando especialmente a população civil durante o inverno. A Ucrânia, por sua vez, tem atacado refinarias de petróleo e outras instalações energéticas russas, inclusive em regiões distantes da fronteira. Zelensky afirmou que Kiev está disposta a interromper os ataques às refinarias russas caso Moscou suspenda os bombardeios contra a infraestrutura energética ucraniana. O presidente também pediu que Trump pressione o governo de Vladimir Putin para que a proposta seja cumprida. Segundo Zelensky, uma trégua nesse setor poderia representar um primeiro passo para o encerramento da guerra, mas advertiu que a Ucrânia continuará respondendo militarmente caso os ataques russos persistam. Não é a primeira vez que Trump anuncia um entendimento semelhante. Em 14 de setembro, o presidente americano afirmou que os dois países haviam concordado em não atacar instalações energéticas um do outro. A declaração também não foi acompanhada de detalhes, e os bombardeios continuaram.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou nesta segunda-feira que ainda não há sinais de que Moscou esteja disposta a cumprir um eventual cessar-fogo. Durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores do bloco, em Luxemburgo, Kallas disse que uma trégua deveria abranger não apenas a infraestrutura energética, mas também os ataques contra a população civil. A discussão ocorre em meio a novas tensões entre Washington e Kiev. Na sexta-feira (9), Trump anunciou um acordo com Putin para permitir a importação de diesel russo, numa tentativa de reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições legislativas americanas de novembro. A medida provocou críticas de autoridades europeias e de parlamentares americanos. Um grupo de seis senadores dos Estados Unidos, incluindo quatro republicanos, pediu ao governo que reverta o entendimento, sob o argumento de que a compra de combustível poderia ampliar os recursos financeiros disponíveis para a Rússia durante a guerra. O ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, também questionou os efeitos da medida sobre os preços internacionais e afirmou acreditar que a decisão está mais relacionada à situação política interna dos Estados Unidos.
Enquanto as negociações continuam, novos bombardeios foram registrados na Ucrânia. Um ataque com drone russo contra a vila de Pisochyn, na região de Kharkiv, deixou três mortos e nove feridos, incluindo crianças, na noite de domingo (11), segundo o Ministério Público regional. De acordo com os investigadores, o equipamento atingiu uma área densamente povoada, próxima a edifícios residenciais e supermercados, e provocou um incêndio. Em Kiev, duas pessoas ficaram feridas durante ataques aéreos nesta segunda-feira. Destroços de equipamentos russos provocaram um incêndio em uma residência no distrito de Darnytskyi, segundo a administração militar da capital. A Força Aérea ucraniana informou ter abatido ou neutralizado 89 dos 121 drones lançados pela Rússia durante a noite, além de identificar o lançamento de um míssil guiado. Houve registros de ataques em 15 locais do país. Do lado russo, o Ministério da Defesa afirmou ter interceptado 151 drones ucranianos durante a madrugada, sobre regiões da Rússia, da Crimeia anexada por Moscou e do Mar Negro. O governo russo também declarou ter atacado instalações portuárias ucranianas e um navio cargueiro que, segundo Moscou, transportava material militar em direção ao porto de Odessa. As informações das partes sobre os ataques não puderam ser verificadas de forma independente.