PM ré por matar mulher em SP promete provar legítima defesa

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Soldado Yasmin Cursino é ré por homicídio triplamente qualificado após morte de mãe de cinco filhos em abordagem policial em SP
A defesa da soldado Yasmin Cursino Ferreira, acusada de matar a auxiliar de limpeza Thawanna Salmázio durante uma abordagem policial em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, afirmou que comprovará a legitimidade da conduta adotada pela PM na ocorrência.
A agente responde ao processo em liberdade após a Justiça de São Paulo aceitar a denúncia do Ministério Público e torná-la ré pelo homicídio de Thawanna, ocorrido em 3 de abril.
O advogado de Yasmin Cursino, Luiz Nakaharada, declarou ao UOL que a legitimidade da ação será demonstrada levando em conta as circunstâncias dos acontecimentos.
O defensor destacou que o fato de o Ministério Público ter denunciado a soldado não representa uma conclusão sobre sua responsabilidade penal.
"Os elementos até então apresentados serão devidamente submetidos ao contraditório e à ampla defesa, ocasião em que será possível o esclarecimento integral das circunstâncias que envolveram os fatos", concluiu Nakaharada.
Após o ocorrido, Yasmin Cursino disse às autoridades que agiu em legítima defesa.
A soldado não mencionou o uso de arma de fogo, mas afirmou que "empregou força" para "garantir a segurança" dela e do colega que a acompanhava, o policial Weden Silva Soares.
O relato consta em boletim de ocorrência registrado após a ação que resultou na morte da auxiliar de limpeza.
Yasmin Cursino responde agora por homicídio triplamente qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
O Ministério Público de São Paulo solicitou indenização mínima de R$ 1 milhão aos familiares de Thawanna.
Segundo a denúncia, a vítima caminhava com o companheiro quando uma viatura passou pelo local e atingiu o braço dele.
Após uma discussão, Yasmin Cursino disparou uma vez com uma arma de calibre .40, atingindo o abdômen da mulher.
A Promotoria sustenta que Thawanna estava desarmada e que não havia situação que justificasse o uso de força letal.
A denúncia aponta ainda que a auxiliar permaneceu ferida por mais de 30 minutos antes de receber atendimento médico, agonizando em razão do ferimento até vir a óbito.
Para o Ministério Público, a demora no socorro contribuiu para a inclusão da qualificadora de meio cruel, uma vez que Thawanna permaneceu consciente e em sofrimento após ser baleada, "sem que a acusada adotasse providências para mitigar as consequências do disparo".
Além dos cinco filhos, todos menores de 18 anos, Thawanna deixou o marido.
Um relatório da Corregedoria da Polícia Militar também apontou que Yasmin Cursino agiu com intenção de matar, rejeitando a versão de legítima defesa apresentada pela soldado em depoimento anterior.
Em nota, o advogado que representa Luciano Gonçalves dos Santos, marido de Thawanna, afirmou que o recebimento da denúncia representa uma vitória, mas não encerra a luta por justiça.
A família espera que todos os envolvidos sejam investigados e, caso comprovadas suas responsabilidades, respondam perante a Justiça.
A defesa da família sustenta, desde o início, que a morte de Thawanna foi resultado de uma abordagem policial desproporcional e violenta, incompatível com os limites legais do uso da força, ressaltando que "nenhuma abordagem policial pode transformar uma situação cotidiana em uma sentença de morte".
A família também pede que a responsabilização criminal não se limite à policial que efetuou o disparo.
Segundo o advogado, a conduta do policial militar Weden Silva Soares, responsável por dirigir a viatura e participante da abordagem que antecedeu o homicídio, também deve ser investigada.
Para a defesa, a atuação do PM foi determinante para os acontecimentos que culminaram na morte de Thawanna, e uma eventual responsabilidade penal do policial não pode ser desconsiderada.
A defesa de Weden não foi localizada para posicionamento.