Motoristas de ônibus fazem paralisação na zona sul de São Paulo

Ponto de ônibus na Zona Sul de São Paulo © Fernando Frazão/Agência Brasil
Motoristas do lote D10, da antiga Transwolff, paralisam serviços e afetam 267 mil passageiros na zona sul de São Paulo
Motoristas de ônibus do lote D10, operado pela antiga Transwolff, entraram em greve na manhã desta segunda-feira, 19, na zona sul de São Paulo. A paralisação afeta 67 linhas de ônibus e prejudica cerca de 267 mil passageiros, segundo a Prefeitura.
Os trabalhadores reivindicam a regularização de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de melhorias nos benefícios.
Os serviços do lote D10 estão sob responsabilidade da SPTrans desde dezembro de 2025, quando a administração municipal decretou a caducidade do contrato com a Transwolff. As linhas do lote D11 seguem operando normalmente.
Para atender os passageiros durante a greve, a Prefeitura acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) e solicitou reforço policial para as duas garagens dos lotes. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a lentidão no trânsito da zona sul chegou a 192 quilômetros no início da manhã.
A SPTrans classificou a paralisação como ilegal, sob a justificativa de que não houve o aviso prévio de 72 horas exigido pela legislação para greves no transporte coletivo. A empresa também afirmou que os salários e benefícios dos funcionários estão em dia.
Entre as reivindicações dos trabalhadores estão ainda melhorias no vale alimentação e questões relacionadas ao plano de saúde. Sobre a assistência médica, a SPTrans informou que realiza uma licitação para contratar um novo fornecedor e que, até a conclusão do processo, os funcionários recebem uma compensação financeira prevista em acordo coletivo.
Em relação ao FGTS e ao INSS, a empresa pública afirmou que os depósitos estão sendo feitos integralmente em juízo, enquanto aguarda uma decisão judicial, e que as obrigações sob sua responsabilidade estão em dia.
A antiga Transwolff deixou de operar os lotes D10 e D11 em dezembro de 2025, após a Prefeitura assumir os serviços. A contratação de uma empresa para retirar os adesivos antigos dos veículos foi concluída na quinta-feira, 15, e os trabalhos devem começar nos próximos dias.
Transwolff investigada por suspeita de ligação com o PCC
A Transwolff entrou na mira das autoridades em abril de 2024, quando o Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Fim da Linha, que investigou suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital. Após a operação, a Prefeitura interveio na empresa e, em dezembro de 2025, encerrou o contrato, decretando a caducidade da concessão.
O caso ganhou novos desdobramentos em outubro de 2026, com a Operação Vectura Corrupta, que apura suspeitas de controle de empresas de ônibus pelo PCC e possíveis conexões com agentes públicos e articulações políticas.
Segundo decisão judicial que autorizou as medidas da operação, 12 das 22 empresas que operam ou operaram no sistema municipal seriam, em tese, controladas pela facção. Entre os alvos da operação estão o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União), ambos permanecem presos. A investigação apura possíveis relações entre empresas de transporte, contratos públicos e integrantes do crime organizado.
A defesa da Transwolff contesta na Justiça as imputações feitas durante a investigação e sustenta a inocência da empresa. A Prefeitura declarou que colabora com as autoridades nas apurações.