Tomate tem alta de 37% em setembro

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Frio e chuvas fora de época prejudicaram a maturação do tomate, derrubando a oferta e elevando os preços ao consumidor em setembro.
O tomate figurou entre os principais vilões da inflação em setembro. De acordo com os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, o produto registrou a segunda maior alta do mês, com um aumento de 37,76%. No Ceasaminas, na Grande BH, o preço praticamente dobrou entre agosto e setembro. Segundo especialistas, a pressão sobre o preço do tomate tem múltiplos fatores, ligados tanto à oferta quanto à demanda. Dados do IBGE apontam que, em Minas Gerais, terceiro maior produtor do Brasil, a produção caiu 4% em agosto.
O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-USP), João Paulo Bernardes Deleo, aponta que o frio nas áreas de plantação e as chuvas fora de época, em um período que costuma ser mais seco, prejudicaram a maturação dos frutos. "Sempre que está mais frio, a planta tende a segurar a maturação dos frutos, os pés estão carregados, mas não amadurecem", diz. A analista técnica de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Marotta, reforça que o tomate é uma cultura muito sensível às condições climáticas. Ela aponta que uma das estratégias adotadas para conter o preço ao consumidor final é a oferta de tomates verdes. "A estratégia é boa para o consumidor, que apesar de comprar em processo de maturação, consegue preço melhor", afirma.
A expectativa é que os preços do tomate permaneçam elevados nos próximos meses. O coordenador técnico estadual da Emater MG, Georgeton Silveira, explica que o período de produção do tomate nas principais regiões produtoras, São Paulo e Minas Gerais, ocorre de maio a setembro, e que, a partir desse intervalo, já é natural que haja queda na oferta. "Para implantar uma lavoura de tomate para mesa, o produtor desembolsa, em média, R$ 122 mil por ha. Como o risco de plantio primavera/verão é alto, com condições agravadas pelo El Niño, há um significativo recuo do escalonamento de novas lavouras", explica Silveira.
Diante do risco de produzir nessa época do ano, a tendência, segundo Silveira, é que os preços se mantenham em alta nos próximos meses, com alguns períodos de queda pontuais, associados a picos de oferta nas praças atacadistas. Mariana Marotta reforça a dificuldade de fazer previsões precisas nesse cenário. "Se fosse um ano de neutralidade, sabia que ia chover, que ia ter sol, com El Niño é muito complicado", diz. O cenário atual combina fatores climáticos adversos, redução da oferta e os efeitos do El Niño, o que torna incerta qualquer previsão de alívio nos preços do tomate no curto prazo.