Tarcísio de Freitas pode ser líder da direita para 2030

Foto: Republicanos/Reprodução
Com a fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA, Tarcísio de Freitas surge como o nome mais forte para unificar a direita brasileira em 2030
Com a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo, emerge como o nome com maior potencial para unificar e liderar a direita brasileira em 2030. A movimentação reposiciona o cenário político da oposição após uma série de turbulências envolvendo a família Bolsonaro. Tarcísio de Freitas havia sido apontado como o candidato natural da direita para a disputa presidencial de 2026. No entanto, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarado inelegível, optou por manter o campo conservador sob seu controle e anunciou, em dezembro de 2025, o filho mais velho como candidato — mesmo reconhecendo que a capacidade de Flávio Bolsonaro de expandir apoios políticos era inferior à de Tarcísio de Freitas.
Eleito em 2022 com o suporte de Jair Bolsonaro, o governador paulista recuou de suas ambições e declarou apoio a Flávio. Desde o momento em que a fuga de Flávio Bolsonaro veio a público, Tarcísio de Freitas adotou uma postura institucional, reconhecendo o resultado das eleições presidenciais. Na quarta-feira, 28 de outubro, após desembarcar nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro publicou duas versões de cartas endereçadas ao Brasil. Na primeira delas, se autodeclarou "o verdadeiro presidente eleito". A declaração causou tamanha perplexidade que Tarcísio de Freitas reagiu publicamente, afirmando compreender o sentimento de Flávio, mas deixando claro que "o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente". Pouco depois, Flávio republicou o texto em seu perfil, desta vez se reclassificando como "líder do Brasil". Donald Trump, que acolheu Flávio e sua família nos Estados Unidos e ainda não havia reconhecido o resultado das eleições brasileiras, preferiu recuar e declarou que não pretende se envolver na turbulência política do Brasil.
O resultado das eleições presidenciais foi reconhecido por todos os partidos políticos brasileiros, incluindo o próprio PL, o que coloca Flávio Bolsonaro em posição de isolamento ao contestar o pleito. O presidente Lula, reeleito, já recebeu mais de 100 reconhecimentos de presidentes e chefes de Estado, entre eles o presidente chinês Xi Jinping, o russo Vladimir Putin, o francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez. Governos de direita também se manifestaram reconhecendo o resultado, como Itália, Chile, Paraguai, Colômbia, Peru, Japão e até El Salvador, de Nayib Bukele — modelo que inspira o bolsonarismo na área de segurança pública. Embora Estados Unidos, Argentina e Israel ainda não tenham se pronunciado, o que serve de combustível político para o bolsonarismo mais radical, a reeleição de Lula é fato consumado. Apesar do desfecho no segundo turno, o bolsonarismo saiu vitorioso no primeiro turno.
A crise política e de credibilidade em torno do Supremo Tribunal Federal (STF) potencializou Flávio Bolsonaro e o PL: além do candidato presidencial, o partido elegeu 121 deputados federais e conquistou 19 novas cadeiras no Senado Federal, além de seis governadores. A família de Jair Bolsonaro também garantiu representação: das sete candidaturas ao Congresso pelo PL, quatro foram eleitas. Michelle Bolsonaro, terceira esposa de Jair, e Carlos Bolsonaro, segundo filho da primeira esposa, Rogéria, conquistaram cadeiras no Senado pelo Distrito Federal e por Santa Catarina, respectivamente. Para a Câmara dos Deputados, foram eleitos Renato Bolsonaro, irmão de Jair, por São Paulo, e Jair Renan, quarto filho da segunda esposa e vereador de Camboriú, por Santa Catarina. Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio e primeira esposa de Jair, não conseguiu uma cadeira pelo Rio de Janeiro e figura como segunda suplente. Nesse cenário de reconfiguração da direita brasileira, Tarcísio de Freitas consolida sua posição como a principal liderança conservadora com capacidade de agregar apoios para 2030, enquanto o bolsonarismo enfrenta o desafio de reorganizar suas forças após a derrota presidencial.