SUS pode ter programa nacional para menopausa

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministério da Saúde quer criar programa no SUS para mulheres na menopausa com apoio de especialistas da Unicamp
O SUS pode ganhar um programa nacional dedicado ao cuidado de mulheres na transição para a menopausa e na menopausa. A iniciativa parte de discussões que o Ministério da Saúde pretende abrir com especialistas da Unicamp, conforme anunciado pelo ministro Alexandre Padilha. Padilha afirmou que vai convidar especialistas do Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) da Unicamp para estruturar o novo programa. "Agora, vamos convidar professores do Caism para discutir um novo programa focado no cuidado de mulheres na transição da menopausa e na menopausa, medicamentos a serem usados, práticas a serem adotadas", declarou o ministro.
Segundo Padilha, a proposta integra um plano de reorganização do SUS para os próximos quatro anos. A ideia é definir linhas de cuidado e orientações para a rede pública com base na experiência acumulada pelo centro de referência da Unicamp. O ministro destacou o histórico do Caism como referência para políticas públicas na área de saúde da mulher. "O Caism sempre foi uma referência nacional e ajudou o SUS a organizar o cuidado materno e infantil", disse. Padilha também mencionou contribuições recentes do centro em iniciativas do governo federal. "Também ajudou com duas novas tecnologias para o SUS neste governo. Primeiro, a nova técnica do Papanicolau para coleta e identificação do vírus HPV em mulheres para a prevenção do câncer do colo do útero.
Os primeiros estudos no Brasil foram organizados aqui no Caism. Além disso, está nos ajudando a monitorar o uso do Implanon, que agora é gratuito no SUS. Isso terá um grande impacto na redução da gravidez na adolescência", avaliou. As declarações foram feitas durante visita ao Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas, onde o ministro conheceu a nova área de medicina nuclear da instituição. No local, o hospital passou a operar um tomógrafo com recursos de inteligência artificial capaz de gerar imagens 3D do corpo inteiro.
O HC instalou um equipamento chamado SPECT/CT-CZT, apontado como o primeiro do tipo em um hospital público da América Latina. A tecnologia utiliza detectores CZT (cádmio-zinco-telúrio), descritos como um avanço recente na medicina nuclear, e o serviço já está disponível ao público. O ministro afirmou que o novo tomógrafo pode ajudar a reduzir o tempo de exame e aumentar a capacidade de atendimento. "É um grande ganho. Porque você tem detecção mais precisa. Como o exame é mais rápido, o que antes levava duas horas cai para 20 minutos. Dá para atender de quatro a cinco pacientes a mais e, com isso, reduzir o tempo de espera na fila", disse Padilha. O ministro ainda afirmou que a meta do ministério é encurtar filas municipais e estaduais e reduzir prazos em casos oncológicos. Segundo ele, esse tipo de estrutura contribui para diminuir o tempo máximo entre o diagnóstico de câncer e o início do tratamento para 30 dias, beneficiando diretamente os pacientes atendidos pelo SUS.