Sul de Minas tem desabamentos após chuva forte

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Chuvas no Sul de Minas causaram desabamentos, alagamentos e deslizamentos em quatro cidades, deixando famílias desabrigadas
A forte chuva que atingiu o Sul de Minas na madrugada e na manhã do domingo (25) provocou deslizamentos de terra, alagamentos e desabamentos de imóveis em quatro cidades da região, causando prejuízos e transtornos para dezenas de moradores. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Sul de Minas registrou os maiores volumes de chuva do estado naquele dia. Em Jacutinga, uma casa desabou no bairro Jardim Deia. Os moradores conseguiram sair a tempo e ninguém se feriu. Um cachorro e um gato que ficaram soterrados foram resgatados com vida. A queda afetou muros de contenção e comprometeu a segurança de outra residência, que precisou ser interditada.
Um barracão também foi atingido, totalizando três imóveis interditados pela Defesa Civil. Os moradores desabrigados foram levados para casas de parentes, e duas famílias receberam suporte da assistência social do município, que providenciou abrigo provisório. Em Poços de Caldas, casas no Jardim Centenário foram invadidas pela enxurrada, que trouxe lama e detritos provenientes da construção de um loteamento situado acima do local. O autônomo Rodrigo Ferreira da Silva foi surpreendido pelo alagamento enquanto dormia. "A gente estava dormindo, aí eu vi os vizinhos falando que estava alagando a casa, o carro, a garagem. Aí eu acordei para olhar, já não tinha mais nada que ser feito, o barro já tinha tomado conta da garagem, do carro ali, da casa. Se eu tivesse acordado antes, eu tentava tirar o carro, mas quando a gente acordou, não tinha mais nada a ser feito. Graças a Deus, nós conseguimos socorrer a família", contou.
Ele e os vizinhos passaram a manhã de domingo tentando limpar a sujeira e verificar o que era possível recuperar entre móveis e objetos atingidos. Pelo menos seis casas na Avenida Vereador Edmundo Cardilo foram afetadas pela lama. De acordo com os moradores, não é a primeira vez que o problema ocorre. "A gente já pediu, já reclamou, mas nenhuma providência foi tomada. Até que aconteceu isso hoje. A hora em que a minha filha acordou, a água estava chegando perto da cama dela. Praticamente estragou tudo, sofá, mesa, os carpetes da casa dela", afirmou a artesã Elizandra Cristina Oliveira Silva.
O instalador de som Valdeci Ferreira de Araújo também teve a casa atingida. Ele estava na igreja quando soube que a lama havia invadido o imóvel. "Como choveu muito, a água veio muito forte, deu esse transtorno todo, invadindo tudo aqui, estragando algumas coisas da gente, mas, graças a Deus, ninguém machucou, está tudo certo. São só danos materiais mesmo", disse. Um representante da construtora responsável pelo loteamento esteve no local e auxiliou os moradores na limpeza, mas preferiu não dar entrevista. A lama também atingiu a Avenida Vereador Edmundo Cardilo, importante via de ligação entre o Centro e a Zona Sul, prejudicando o trânsito. A Defesa Civil acionou a Secretaria de Serviço Público, a Secretaria de Obras e o DMAE para realizarem a limpeza e liberar o tráfego. Em outro ponto da cidade, o Rio Lambari transbordou e invadiu a Avenida João Pinheiro. Uma mulher que estava sob uma das pontes foi arrastada pela correnteza, resgatada com vida pelos bombeiros com sinais de hipotermia e encaminhada à UPA.
Também foi registrado o desabamento de um muro no bairro Santa Rita, sem feridos. Em Andradas, onde choveu cerca de 50 milímetros, um muro de uma igreja na Vila Mosconi caiu, e no bairro Davi de Paula houve a queda de um muro de contenção. Em Campestre, foi registrado o deslizamento de um muro de arrimo no bairro Jardim Progresso. A Defesa Civil colocou lonas para evitar novos deslizamentos e, por segurança, duas famílias foram retiradas de casas próximas. A assistência social da prefeitura vai acomodar os moradores em casas de aluguel até a conclusão de um novo muro.
- Poços de Caldas: 73 milímetros - Campestre: 66 milímetros - Guaxupé: 63 milímetros - Caldas: 60 milímetros - Três Corações: 58 milímetros De acordo com os institutos meteorológicos, a chuva intensa foi provocada pela combinação de fatores atmosféricos que favoreciam a formação de nuvens muito carregadas: uma área de baixa pressão atmosférica próxima ao Paraguai e ao Nordeste da Argentina, somada ao transporte de calor e umidade da Amazônia em direção ao centro-sul do país. O Sul de Minas registrou os maiores volumes de precipitação do estado naquele domingo, segundo o Cemaden.