Simões deseja sorte a Cleitinho com Lula reeleito

Governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) - Foto: Instagram @mateus.simoesmg
Simões afirma ter dúvidas sobre se Cleitinho fará oposição ao governo federal e relembra promessas de campanha do senador eleito
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), desejou sorte ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito para sucedê-lo no Executivo estadual, na relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25/10). Simões também afirmou ter dúvidas sobre se o futuro governador fará oposição ao petista. As declarações foram feitas nesta segunda-feira (26/10), durante coletiva de imprensa no intervalo de uma reunião de transição da área de infraestrutura. Ao ser questionado sobre a reeleição de Lula e as demandas envolvendo o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), Simões relembrou as promessas de campanha de Cleitinho. "Uma das pautas da campanha vencedora é que ia renegociar a dívida. Então, boa sorte, espero que ele tenha sucesso na negociação com o governo Lula", declarou.
O governador acrescentou que "mais do que sorte, eu tenho pouco a desejar" e ressaltou que não vê necessidade de renegociar um débito que, segundo ele, já conta com juros zerados. As trocas de farpas entre Simões e Cleitinho se intensificaram desde a eleição do senador. O governador rebateu críticas à sua condução do funcionalismo estadual e deixou claro que manterá suas prerrogativas até o fim do mandato. "Até o dia 6 de janeiro ninguém vai me retirar nenhuma das prerrogativas de governador do estado, inclusive as que dizem respeito ao funcionalismo público", disse. Ao mesmo tempo, Simões afirmou tentar evitar comentar as manifestações do sucessor. "Eu tenho tentado evitar o máximo comentar o que seja dito pelo novo governo. Afinal de contas, a administração daqui para frente é deles. Eu não sou comentarista político para ter opinião sobre o que ele disse", declarou.
A fala ocorre um dia após Cleitinho afirmar que não deixará os servidores estaduais desamparados. Em entrevista coletiva antes de registrar seu voto em Divinópolis, o senador responsabilizou Simões pelas declarações sobre a situação financeira do estado. "O próprio Mateus disse na eleição que estava com medo de deixar [o estado] na minha mão, com medo da situação do estado. Mas agora ele está chorando e reclamando, falando que não tem dinheiro nem para pagar os servidores. E é ele que está falando isso", disse Cleitinho. Simões, por sua vez, garantiu nesta segunda-feira que pagará os salários em dia, nomeará candidatos excedentes e lançará os concursos que considerar necessários. Na reunião de transição da infraestrutura, chegou a citar a previsão de seleções para o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) e a Agência Reguladora de Transportes do Estado de Minas Gerais (Artemig).
Ao comentar a reeleição de Lula, Simões afirmou receber o resultado com preocupação e disse esperar que Minas Gerais integre a oposição ao governo federal. Para o governador, ainda há dúvidas sobre como Cleitinho vai se posicionar em relação ao petista após assumir o Executivo estadual. "Minas Gerais é o único estado do Sul e do Sudeste em que há dúvida sobre qual vai ser a postura do governo daqui para frente, porque em todos os outros estados do Sul e Sudeste e do Centro Oeste há uma certeza, esses estados são estados de oposição ao governo federal", disse.
Simões destacou ainda que ser oposição não significa abrir mão de acordos com o presidente. A declaração ocorre após Cleitinho sinalizar que dialogará com o governo federal, mesmo com a eleição de Lula. O senador havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial. Simões acrescentou que foi a gestão da qual fez parte, ao lado de Romeu Zema (Novo), que firmou acordos com o governo federal mesmo sendo de oposição. "No final das contas, quem fez o acordo pro pacto fomos nós. Um governo de oposição ao governo do PT. E quem tá cumprindo com o governo federal somos nós, um governo de oposição. Então o fato de ser oposição não significa não trabalhar", afirmou. Ele destacou ainda que Minas seria o estado com o "maior número de concessões rodoviárias do país feitas pelo governo federal". Ao avaliar a reeleição de Lula, Simões classificou a vitória do petista como um erro e disse acreditar que o país enfrentará mais quatro anos de retrocesso. "Eu entendo que nós cometemos um erro muito grave, na noite de ontem. Minas Gerais, infelizmente, mais uma vez fez parte da consolidação desse erro", afirmou. Em seguida, acrescentou: "O presidente Lula não merecia a reeleição e o povo brasileiro não merecia ter que passar por mais quatro anos de atraso, como infelizmente nós vamos passar".