Bolsonaristas e petistas se manifestam sobre entrevista de Roberta Luchsinger

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Lobista chama Lula de "mau-caráter" em entrevista e gera reações opostas entre bolsonaristas e petistas
Flávio Bolsonaro (PL), candidato no segundo turno da Presidência da República contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), celebrou a entrevista concedida pela lobista Roberta Luchsinger à CNN Brasil. Na ocasião, ela afirmou que Lula "continua mentindo", o chamou de "mau-caráter" e fez ataques a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A entrevista gerou reações imediatas tanto no campo bolsonarista quanto no petista. "Bomba na família Lula. Mentiroso e mau-caráter. Fala tudo, Roberta", escreveu Flávio em suas redes sociais.
O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), informou que protocolou ofícios à Polícia Federal, ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo proteção para Roberta Luchsinger. Ele também anunciou que solicitará a convocação do ministro da Justiça, Wellington César, à Comissão de Segurança Pública para prestar esclarecimentos sobre o caso. Em outra frente, a deputada Coronel Fernanda (PL-MT), que exerce o cargo de procuradora da mulher na Câmara, também se manifestou em defesa da lobista. "Como Procuradora da Mulher na Câmara, solicito sua inclusão imediata no Programa de Proteção a Testemunhas, diante da gravidade das denúncias e dos riscos à segurança dela e de suas filhas", afirmou a parlamentar.
Chamada de "pilantra" por Lula em entrevistas anteriores, Roberta Luchsinger revidou as declarações e classificou o presidente como mau-caráter, mentiroso, senil e machista. Ela também relatou receber ameaças de morte e disse temer pela segurança de suas filhas. Na mesma entrevista, a lobista manifestou interesse em firmar um acordo de delação premiada e afirmou que não poupará nem Lula nem Lulinha. Tanto Roberta Luchsinger quanto o filho do presidente são investigados pela Polícia Federal por tráfico de influência. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, também celebrou as declarações da lobista. "O Brasil precisa saber o que está acontecendo. Mentiroso e mau-caráter. Lula pai da mentira. Fala tudo, Roberta, Lula corrupto e mentiroso. Acabou pro Lula, delata Roberta", publicou o partido em sua conta no X. Do outro lado, petistas optaram por não reagir com força nas redes sociais.
O deputado André Janones (Rede-MG), que comanda o "Exército do Lula", canal do WhatsApp com 5 milhões de pessoas voltado para angariar votos para a reeleição de Lula, pediu aos apoiadores que ignorassem tudo relacionado à entrevista. "Se a campanha tiver que responder alguma coisa, vai responder na televisão, no jornal, onde a lógica do algoritmo não funciona", disse Janones. "Você não vai engajar em nada negativo ao presidente."
O ministro da Secretaria da Presidência, Guilherme Boulos, optou por fazer um contraponto entre Lula e Jair Bolsonaro (PL). "Quando o filho de Lula foi citado numa investigação, o presidente chegou e disse: investiga. Quando Flávio estava sendo investigado, Bolsonaro disse numa reunião de ministros que ia trocar o diretor da Polícia Federal, e, se preciso, trocar até o ministro para poder proteger o filho dele", declarou. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulgou nota afirmando que Lula não manteve contatos com a lobista e desconhece os relatos feitos por ela, estranhando ainda o momento escolhido para a entrevista, às vésperas do segundo turno das eleições. "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger. Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta", diz o comunicado.