Paquistão confirma tropas na Arábia Saudita em meio a conflito com houthis

Bandeira do Paquistão - Foto: Matt King via Getty Images
Islamabad confirma presença militar em Riade para defender território saudita dos ataques dos houthis do Iêmen
O Paquistão confirmou nesta sexta-feira (9) que mantém um número "substancial" de soldados na Arábia Saudita com fins defensivos, em meio à escalada do conflito entre a monarquia saudita e os houthis do Iêmen. O anúncio foi feito pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores paquistanês, em um momento em que os ataques aéreos dos houthis contra território saudita se intensificam.
O porta-voz Sajjad Haider Khan declarou à imprensa que "já temos um número substancial de forças, assim como recursos, mobilizados na cidade de Riade", a capital saudita. O responsável não informou quando ocorreu a mobilização das tropas, mas foi enfático ao afirmar que o pessoal militar paquistanês presente na Arábia Saudita "não cruzará as fronteiras para realizar um ataque contra os houthis" no Iêmen, "embora esteja comprometido em defender o território" saudita.
O Paquistão e a Arábia Saudita, juntamente com a Turquia, assinaram em agosto um acordo de defesa mútua, celebrado pelos Estados Unidos, aliado de todos os países envolvidos. O envio das tropas paquistanesas se insere nesse contexto de cooperação militar entre as nações.
Os houthis do Iêmen, aliados do Irã e no controle de boa parte do país, incluindo a capital Saná, intensificaram recentemente os ataques aéreos contra a Arábia Saudita, que apoia um governo rival e, em 2015, iniciou uma campanha militar contra o movimento. Entre os ataques mais recentes, dois atingiram o aeroporto internacional de Riade na quinta-feira, causando três mortes, incluindo a de um piloto.
No total, seis pessoas morreram em poucos dias em ataques reivindicados pelos houthis contra aeroportos sauditas. O conflito entre os houthis e o governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita se agravou desde setembro, quando o movimento pró-iraniano tomou o litoral iemenita do Mar Vermelho, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb, em uma ofensiva relâmpago.
Diante da amplitude e da frequência dos ataques à capital saudita, inéditas desde que em julho foram retomadas as hostilidades, Riade não cederá "à chantagem militar" do movimento pró-iraniano, afirmou à AFP uma fonte regional a par da política do governo saudita.
A Arábia Saudita "descarta uma trégua ou um cessar-fogo" enquanto as forças governamentais iemenitas que apoia não tiverem recuperado o território tomado recentemente pelos houthis, disse essa fonte, que pediu anonimato. A postura saudita indica que o conflito deve se prolongar, com o Paquistão agora formalmente posicionado como um dos pilares da defesa do território saudita.