Reversão eleitoral em Minas expõe estratégias de Nikolas e Janones

Foto: Reprodução / Instagram / @andrejanones - @nikolasferreiraadm
A reversão eleitoral em Minas Gerais revelou os limites de Nikolas Ferreira e a eficácia da estratégia digital de Janones para Lula
Minas Gerais repetiu o padrão histórico de que quem vence no estado leva a presidência. Mas a virada eleitoral de 2026 revela menos sobre Lula e Flávio do que sobre dois mineiros que sequer estavam na urna presidencial: Nikolas Ferreira e André Janones. No 1º turno, Flávio venceu em Minas com 48,24% contra 43,33% de Lula. Três semanas depois, o petista reverteu o placar e fechou com 50,43%. Nesse intervalo, Lula somou 1,16 milhão de votos novos no estado, enquanto Flávio acumulou apenas 464 mil.
Isso ocorreu mesmo com Cleitinho eleito governador no 1º turno, com 55% dos votos, e com Zema e Nikolas Ferreira no palanque bolsonarista. Os dois personagens chegaram à reta final em situações completamente opostas. Nikolas Ferreira era o fenômeno do momento: 25,6 milhões de seguidores no Instagram e o título de político mais influente das redes sociais. Janones, por outro lado, era tratado com desconfiança até dentro do próprio campo. Petistas descreviam sua presença como um "preço a pagar", e ele próprio atacava a campanha "fofa" e os "arrogantes de salto alto" da esquerda.
Nikolas Ferreira apostou na estratégia que o consagrou: ele no centro do vídeo, o pano preto ao fundo e o conteúdo pensado para viralizar. "O Nordeste que foi esquecido" ultrapassou 160 milhões de visualizações. Mas os bastidores acabaram vazando, com teleprompter, enquadramentos dirigidos e até uma antena parabólica retirada propositalmente da cena. O alcance, que deveria ser um trunfo, virou munição para o adversário. A própria campanha de Flávio passou a apontar Nikolas Ferreira como parte da explicação para a derrota em Minas e no Nordeste.
Janones fez o caminho inverso. Tirou a si mesmo do centro e construiu um canal de distribuição em escala. O "Exército do Lula" saiu de quase 2 milhões de seguidores no início de outubro para cerca de 10,8 milhões. Não se tratava de uma plateia passiva, mas de uma tropa ativa: "missões" diárias de postagem, convites a novos contatos e vídeos simples, com apelo de "mais calçada e menos helicóptero". Enquanto Nikolas Ferreira falava para os seus, Janones colocou milhões de pessoas para falar com as delas. Após a vitória, Lula o chamou de "general". A disputa em Minas expôs dois modelos distintos de campanha digital. Um tentou repetir a velha fórmula do influenciador, centralizada na figura e no alcance individual. O outro mudou o jeito de a esquerda fazer campanha nas redes, apostando na multiplicação horizontal da mensagem. O resultado nas urnas mostrou qual dos dois funcionou melhor neste ciclo eleitoral.