Israel ataca escolha de Navi Pillay para o Nobel da Paz e cita Goebbels

Benjamin Netanyahu primeiro ministro de israel
Israel acusa Navi Pillay de "demonização" e critica Nobel da Paz 2026 como "instrumentalização grotesca" do prêmio
O governo de Israel criticou duramente a escolha da jurista sul-africana Navi Pillay para receber o Prêmio Nobel da Paz 2026. O Ministério das Relações Exteriores israelense afirmou que ela mereceria, na verdade, um prêmio por mentiras e ódio. "Se houvesse um prêmio [para isso], Navi Pillay não seria apenas uma concorrente. Ela seria uma das principais favoritas", escreveu a pasta em publicação nas redes sociais. Nas declarações, o governo israelense acusou Navi Pillay de ter tido papel na "demonização implacável" de Israel, descrita como politicamente motivada. "Conceder o Prêmio Nobel da Paz a Pillay não é um reconhecimento da justiça. É a grotesca instrumentalização de um prêmio para legitimar o ódio e o preconceito anti-Israel", afirmou o comunicado oficial.
As autoridades israelenses foram ainda mais longe ao evocar o nome de Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda da Alemanha Nazista entre 1933 e 1945. "Agora que a comissão Nobel premiou a maior mentira do século 21, Joseph Goebbels certamente está aplaudindo do inferno", escreveram. A referência ao político alemão foi usada para reforçar a crítica à decisão do comitê norueguês. Navi Pillay foi reconhecida pelo comitê do Nobel por sua atuação em defesa do direito internacional.
Segundo o comitê, ela "foi escolhida por liderar, com coragem e integridade, esforços para ampliar uma ordem jurídica global". A decisão também destacou o papel da jurista em levar a julgamento crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Pillay também exerceu o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A trajetória de Navi Pillay tem raízes na África do Sul do apartheid, onde ela enfrentou discriminação e se tornou advogada. O comitê citou como fio condutor de sua carreira a defesa de Nelson Mandela e de outros opositores do regime segregacionista. Ao longo dos anos, ela atuou em diversas instâncias nacionais e internacionais ligadas a direitos humanos e à responsabilização por violência em conflitos, incluindo o cargo de juíza no Tribunal Penal Internacional para Ruanda e no Tribunal Penal Internacional. Na ONU, Navi Pillay presidiu recentemente uma comissão de inquérito sobre o Território Palestino Ocupado.
Atualmente, ela integra a Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio. O Comitê Norueguês do Nobel relacionou a escolha dela ao objetivo histórico do prêmio de valorizar soluções não violentas para conflitos, destacando que a ideia de paz duradoura baseada em princípios jurídicos ganhou força após a Segunda Guerra Mundial, com a criação de instituições da ONU. O comitê reconheceu que a ordem internacional "baseada em regras" nunca foi perfeita e que grandes potências, em diferentes momentos, escaparam da responsabilização. Ainda assim, avaliou que mais disputas têm sido tratadas por diplomacia, tratados e mecanismos legais, em vez de ameaças e guerra. O grupo também sinalizou preocupação com a pressão crescente sobre o sistema de direito internacional e os ataques às suas instituições, afirmando que, quando a força se sobrepõe ao direito, a estabilidade e a confiança são corroídas.
Entre os exemplos destacados na justificativa, está a atuação de Navi Pillay no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde decisões reconheceram o estupro e a violência sexual como crimes contra a humanidade e como formas de genocídio. O comitê também apontou como avanço o julgamento de uma acusação de incitação ao genocídio baseada na disseminação de propaganda, no mesmo contexto. O comitê afirmou que a carreira de Navi Pillay reforça a necessidade de apoiar e expandir o Estado de Direito no plano global. Para o grupo, a jurista levou esperança a vítimas de violência e conflitos ao insistir na responsabilidade de indivíduos e Estados perante a lei. Além do reconhecimento, a vencedora receberá 12 milhões de coroas suecas, equivalente a R$ 6 milhões. Chefes de Estado, opositores políticos e organizações humanitárias estão entre os vencedores do prêmio na última década.