Navi Pillay ganha o Nobel da Paz 2026

Navi Pillay, advogada sul-africana de 85 anos, foi escolhida para o Nobel da Paz de 2026 por sua trajetória em direitos humanos
Aos 85 anos, Navi Pillay, escolhida para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2026, dedicou sua vida à defesa dos direitos humanos e à construção de uma ordem jurídica global mais abrangente. A trajetória da jurista sul-africana é marcada por conquistas históricas e por uma atuação incansável nos principais tribunais e organismos internacionais. Filha de pais indianos de ascendência tâmil, a advogada Navanethem "Navi" Pillay nasceu em 23 de setembro de 1941 na África do Sul. Criada em uma família humilde, ela cresceu em um ambiente onde a educação era tratada como prioridade, segundo o Instituto para Mulheres Africanas no Direito. Navi Pillay estudou na Universidade de Natal, na África do Sul, no início da década de 1960.
Anos depois, concluiu uma especialização em direitos humanos e direito internacional pela Universidade de Harvard, em 1982, e obteve o doutorado em Ciências Jurídicas pela mesma instituição, tornando-se a primeira mulher sul-africana a alcançar esse título em Harvard. Em 2015, recebeu ainda um doutorado honorário em direito pela Universidade Tufts. Sua carreira na advocacia também foi pioneira: em 1967, Navi Pillay tornou-se a primeira mulher negra a abrir um escritório de advocacia na província de Natal. Em 1980, passou a lecionar na Universidade de KwaZulu-Natal e, pouco tempo depois, foi admitida como advogada e tabeliã do Tribunal Superior da África do Sul.
Ainda jovem, Navi Pillay atuou como defensora de ativistas antiapartheid na África do Sul. Ela denunciou práticas de tortura e trabalhou para garantir direitos fundamentais aos prisioneiros da Ilha Robben. Com o fim do regime do apartheid, em 1995, Nelson Mandela a nomeou como a primeira juíza negra do Supremo Tribunal da África do Sul. Mais tarde, Mandela impulsionou sua carreira internacional ao convidá-la para servir como juíza no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde atuou por oito anos, incluindo quatro como Presidente. No Tribunal Penal Internacional para Ruanda, Navi Pillay presidiu o julgamento histórico que, em 1998, definiu o estupro e a violência sexual como atos de genocídio.
A decisão estabeleceu que "a violência sexual sistemática foi utilizada como uma ferramenta para destruir, no todo ou em parte, o grupo étnico Tutsi". A jurista também ocupou um dos cargos mais relevantes do sistema das Nações Unidas na área de direitos humanos. Nomeada em 28 de julho de 2008, ela exerceu o posto de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos até setembro de 2014. Nesse período, ganhou projeção internacional ao liderar a agenda de direitos humanos dentro da ONU. De acordo com o comitê do Nobel, a contribuição de Navi Pillay para ampliar a ideia de uma ordem jurídica global capaz de sustentar processos e punições para violações extremas foi um dos principais motivos de sua escolha. Sua passagem por diferentes instâncias internacionais a colocou no centro dos debates globais sobre responsabilização e proteção de civis.