Milei viaja aos EUA e encontra Eduardo Bolsonaro

Foto: World Economic Forum/Flickr
Milei embarca para sua quinta viagem aos EUA em 2025 e deve se encontrar com Eduardo Bolsonaro em jantar de gala em Washington
O presidente da Argentina, Javier Milei, embarcou na noite desta terça-feira (13) para sua quinta viagem do ano aos Estados Unidos. Sob o governo de Donald Trump, o país se consolidou como o principal aliado ideológico do líder argentino. Durante a visita, Milei deve se encontrar com Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. O encontro entre Milei e Eduardo Bolsonaro deve ocorrer na noite de quarta-feira (14), em Washington, durante um tradicional jantar de gala para celebrar a cultura hispânica nos EUA. O ex-deputado brasileiro também foi convidado para o evento, cujo ingresso mais acessível custa US$ 3.000 (cerca de R$ 15 mil). Antes do jantar, Milei tem agenda com empresários e investidores. No dia seguinte, a programação inclui um discurso na Câmara de Comércio dos EUA e a participação em um evento na Embaixada da Argentina em Washington voltado ao combate ao antissemitismo. Ao lado dos Estados Unidos, Israel é o principal foco da política externa da Casa Rosada na gestão do ultraliberal.
A última vez que Milei se reuniu com um membro da família Bolsonaro, o encontro resultou em uma crise inédita nas relações bilaterais entre Argentina e Brasil. O imbróglio teve início no final de julho, quando o presidente argentino atacou autoridades brasileiras durante o lançamento da candidatura de Flávio, em São Paulo. Em um discurso inflamado, Milei se referiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como ladrão e presidiário e chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca". Após os comentários, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e o representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli. A crise se estendeu pelos dias seguintes, com o ministro Dario Durigan (Fazenda) chamando Milei de palhaço, e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) classificando o argentino como "caricatura patética" e puxa-saco de Trump.
Diante da persistência dos ataques, o governo brasileiro dispensou o embaixador da Argentina em Brasília e manteve Bitelli no Brasil, situação que permanece até hoje. Naquele momento, o Datafolha apontava Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio. O cenário mudou desde então, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) conquistou quase dois pontos percentuais a mais que o atual presidente na votação do dia 4 de outubro. Os resultados foram recebidos com euforia por Milei, que, assim como Trump tem feito com recentes vitórias da direita na América Latina, toma para si o favoritismo com o qual Flávio chega ao segundo turno, no dia 25 de outubro. De acordo com a imprensa argentina, o ultraliberal destacou em uma reunião de gabinete, no dia seguinte à votação no Brasil, que o candidato do PL estava muitos pontos atrás de Lula quando o visitou. Milei embarca na noite de quinta-feira (15) de volta à Argentina, onde deve permanecer apenas durante o fim de semana. Na segunda-feira (19), o presidente argentino parte para a Espanha. A agenda no país europeu ainda não está definida, mas, também segundo a imprensa argentina, Milei deve participar de encontros acadêmicos e empresariais, além de se reunir com a presidente regional de Madri, Isabel Díaz Ayuso, e o líder do partido Vox, o ultradireitista Santiago Abascal.