TSE dá 48h para Meta explicar supostas restrições a Lula

Escritório da Meta em Menlo Park, Califórnia, Estados Unidos - Foto: Nathan Frandino
TSE intima a Meta a esclarecer supostas restrições a conteúdos da campanha de Lula nas redes sociais antes do segundo turno
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitou explicações à Meta neste sábado (10) após a campanha do presidente Lula denunciar uma suposta "interferência" nas eleições brasileiras por meio de bloqueios a conteúdos nas redes sociais. A empresa americana classificou as acusações como "falsas" e afirmou que cumpre as regras eleitorais vigentes no país. O contexto envolve o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, no qual Luiz Inácio Lula da Silva disputa um quarto mandato contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022). A campanha de Lula apresentou um comunicado detalhando episódios em que plataformas do grupo Meta, como Facebook, WhatsApp e Instagram, teriam limitado a difusão de seus conteúdos.
O TSE concedeu à gigante das redes sociais um prazo de 48 horas para esclarecer se houve redução no alcance das publicações e para explicar as anomalias apontadas pela campanha. Em mensagem enviada à AFP, o escritório da Meta no Brasil declarou que "as alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos". Segundo a campanha de Lula, "o perfil do presidente Lula foi impedido pela Meta de impulsionar conteúdos do feed no Instagram", enquanto uma postagem do candidato teria sofrido uma interrupção na contagem de visualizações, afetando seu alcance. Os aliados do presidente também argumentam que as publicações de Flávio Bolsonaro registram mais interações apesar de terem menos seguidores, e afirmam que, antes do primeiro turno, a conta do presidente "e diversas lideranças da esquerda foram subitamente retiradas do mecanismo de buscas do Instagram".
"A sucessão de problemas técnicos não explicados pela empresa levanta forte suspeita de que a ação da Meta se configure como uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro, em benefício à candidatura" do senador, acrescentou a campanha. A Meta respondeu que "muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas", completando que "estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos". O TSE, por sua vez, solicitou à empresa que informe, "perfil a perfil, todas as medidas aplicadas" às contas oficiais de Lula, além de "explicar as anomalias nas métricas dos vídeos". Lula tem denunciado supostas tentativas de ingerência eleitoral por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para favorecer Flávio Bolsonaro. O governo avalia se as grandes empresas de tecnologia podem estar sendo utilizadas para esse propósito.
A defesa da soberania nacional tornou-se uma das principais bandeiras da campanha do presidente diante dessas denúncias. "Não temos prova desse vínculo concreto, formal", declarou à AFP Éden Valadares, secretário de comunicação do Partido dos Trabalhadores. Ele, no entanto, recordou quando Trump tentou "interferir nas decisões da Suprema Corte Brasileira" e mencionou os "interesses das chamadas big techs", o que constitui "mais do que uma evidência desse interesse mutuamente compartilhado". A denúncia foi apresentada uma semana após o primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47% dos votos, embora as pesquisas apontassem Lula, com 45%, como favorito. Após o resultado, o presidente, de 80 anos e que não usa celular, colocou em marcha uma estratégia centrada nas redes sociais para o segundo turno.