Meta se reúne com TSE sobre viés da IA para debater suposto viés da IA

ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Kassio Nunes Marques convocou representantes da Meta para debater suposto favorecimento da IA ao candidato Flávio Bolsonaro no WhatsApp
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, se reuniu nesta quinta-feira (15/10), em Brasília (DF), com representantes da Meta para discutir denúncias e controvérsias envolvendo as ferramentas da big tech na reta final do segundo turno das Eleições 2026. O encontro foi convocado pelo ministro para debater falhas e vieses identificados nas plataformas do grupo durante o período de campanha. O principal ponto da reunião foi o comportamento da Inteligência Artificial da empresa, a Meta AI, integrada ao aplicativo WhatsApp.
Segundo denúncias levadas à Corte Eleitoral pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a assistente virtual gerava normalmente imagens de campanha favoráveis ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), associando sua imagem ao número 22, mas se recusava a realizar o mesmo procedimento para o petista utilizando o número 13. Como comprovou o Metrópoles, na coluna Alfredo Henrique, a IA do WhatsApp se recusou a gerar uma imagem com a frase "Lula 13", mas criou normalmente, segundos depois, uma arte com o nome Flávio e o número 22.
O teste foi realizado pela própria coluna, evidenciando a inconsistência no comportamento da ferramenta. Diante do questionamento formal da Justiça Eleitoral, os representantes da Meta apresentaram justificativas técnicas e informaram as providências adotadas para corrigir o problema. Em nota enviada ao Metrópoles na quarta-feira (14/10), a empresa afirmou ter proibido a geração de imagens de candidatos "em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil". "Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens", disse a Meta. A empresa, no entanto, ainda não respondeu sobre o motivo pelo qual era possível gerar imagens relacionadas ao candidato Flávio Bolsonaro enquanto o mesmo recurso era negado para Lula. A ausência de uma explicação clara sobre a assimetria identificada mantém o caso sob atenção da Justiça Eleitoral às vésperas do segundo turno.