Médica é suspeita de orientar "não dar alta a petistas" em Goiânia

Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara
Médica é suspeita de orientar funcionários a não dar alta a pacientes petistas durante o fim de semana das eleições em Goiânia
Uma médica da Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, é suspeita de ter orientado funcionários a "não dar alta a petistas" durante o fim de semana das eleições. A denúncia veio a público após mensagens exibidas pela TV Anhanguera, que mostrariam a profissional enviando instruções em um aplicativo de mensagens para colegas que estivessem de plantão na enfermaria.
Segundo as mensagens divulgadas, a médica teria escrito o seguinte texto, fazendo referência a simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT): "Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista". O nome da profissional não foi divulgado pelas autoridades.
A Maternidade Célia Câmara se pronunciou por meio de nota oficial, afirmando que as mensagens ocorreram em um grupo interno e privado de profissionais médicos e que não representam o posicionamento da administração do hospital. A instituição reforçou que não adota posicionamento político-partidário e que suas ações são pautadas pelos princípios da assistência pública à saúde, pela ética profissional e pelos critérios técnicos aplicáveis a cada paciente.
"Decisões relativas à internação, permanência hospitalar e alta devem observar exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente de qualquer convicção política, ideológica, religiosa ou de outra natureza", diz a nota da maternidade.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) também se manifestou sobre o caso. Em nota, o órgão informou que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas em total sigilo, e que foram solicitados esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.
A Maternidade Célia Câmara declarou ainda que, diante das informações recebidas, adotará procedimentos internos para a apuração dos fatos, garantindo o contraditório e a observância das normas institucionais e profissionais aplicáveis. "Caso sejam constatadas condutas incompatíveis com essas normas, serão adotadas as medidas cabíveis", afirmou a instituição.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia também tomou medidas administrativas para apurar os fatos assim que foi informada sobre o ocorrido. O órgão reforçou a orientação às equipes quanto à necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
O episódio ocorreu no domingo (4), quando milhões de eleitores em Goiás foram às urnas para votar nos cargos de presidente, governador, deputado federal, deputado estadual e senador. A Maternidade Célia Câmara reafirmou seu compromisso com uma assistência impessoal, humanizada, ética e tecnicamente orientada, garantindo tratamento isonômico a todos os usuários do SUS.