Manifesto reúne clubes do interior contra patrocínio exclusivo para capital

"Manifesto do Futebol Mineiro" reúne clubes do interior contra patrocínios estaduais exclusivos para Atlético, Cruzeiro e América
Clubes do interior de Minas Gerais publicaram o "Manifesto do Futebol Mineiro", documento que contesta os patrocínios anunciados pelo governo estadual exclusivamente para Atlético, Cruzeiro e América. O anúncio, feito em 29 de setembro, destinou R$ 32 milhões em patrocínios de estatais aos três clubes da capital, deixando de fora as demais equipes do estado. Atlético e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, em janeiro de 2027, para estampar as marcas da Cemig e da Codemig durante a temporada. Já o América embolsará R$ 2 milhões.
Os clubes do interior argumentam que o futebol mineiro não se resume à capital e exigem isonomia na distribuição dos recursos. Entre os signatários do "Manifesto do Futebol Mineiro" estão Athletic, Villa Nova, Betim e Itabirito. O Democrata de Sete Lagoas foi além e se manifestou nas redes sociais com uma crítica direta: "E os invisíveis que se explodam! Só servimos pra ajudar a pagar as contas através dos tributos e da conta de energia".
O documento publicado pelos clubes traz uma série de reivindicações e argumentos:
- **O futebol do interior como base do esporte estadual:** O manifesto destaca que é no interior que o futebol começa, sendo a primeira — e muitas vezes a única — chance de milhares de jovens mineiros. Grande parte dos atletas que brilham nos grandes clubes vem dessas regiões, que também geram empregos, movimentam o comércio e constroem a identidade de cada cidade.
- **O futebol feminino também é reivindicado:** O documento aponta que atletas do interior treinam com o mínimo e competem com o máximo, e que o investimento na modalidade não pode ficar restrito à capital.
- **As demandas concretas:** Os clubes pedem uma audiência urgente, intermediada pela Federação Mineira de Futebol (FMF), com o governo de Minas e suas estatais. Também solicitam a inclusão dos clubes dos Módulos I e II, da Segunda Divisão e do futebol feminino nos critérios de patrocínio, além de cotas por divisão com critérios objetivos e públicos, e recursos destinados à base e ao futebol feminino.
O contexto por trás dos patrocínios estaduais está diretamente ligado à proibição federal das casas de apostas como patrocinadoras de clubes de futebol. A Medida Provisória editada pelo governo federal determinou que as chamadas "bets" não poderiam mais ser divulgadas a partir de 6 de outubro. Com isso, as SAFs da capital ficariam sem uma fatia relevante de suas receitas: o Atlético recebia R$ 60 milhões fixos da H2bet, o Cruzeiro, R$ 43 milhões da Betnacional, e o América, R$ 4 milhões da Bet Bra.
Como o Governo do Estado de Minas Gerais não pode patrocinar diretamente os clubes, utiliza suas empresas estatais para viabilizar os aportes, uma vez que essas entidades possuem verbas destinadas a publicidade. O governador Mateus Simões sinalizou que o Executivo também discutiria acordos de patrocínio para o próximo ano com o Athletic e o Uberlândia, outros dois clubes que também têm casas de apostas como patrocinadoras.